terça-feira, 21 de junho de 2016

ÀRÌDAN E SUAS PROPRIEDADES MEDICINAIS

Nos últimos anos, as plantas tornaram-se uma fonte indispensável de alimentos e medicamentos. Mesmo em tempos modernos, as maiorias das pessoas dependem muito das plantas medicinais como uma importante fonte de remédio e tratamentos alternativos para a maioria das doenças ocasionais e com risco de vida.

Como resultado da homeopatia, há uma demanda crescente em todo o mundo para estas plantas medicinais. Além de combater as doenças, as pessoas estão recorrendo mais a estes plantas medicinais como um meio de reduzir o uso de medicamentos químicos, dito como alopatia, que em certos casos, poderiam ser mais prejudiciais para a saúde humana, do que a própria enfermidade a ser tratada.

Curiosamente, a maioria das plantas com propriedades medicinais são usadas ​​em nossa culinária cotidiana, como ervas, especiarias, condimentos e conservantes. Mas a verdade é que muitas vezes consomem a maior parte destas plantas medicinais essenciais na forma de especiarias, mesmo sem reconhecer o que nossos corpos ganham com elas.



Além disso, a utilização destas plantas medicinais como conservantes alimentares, temperos e, como instrumento para prevenir e combater o desenvolvimento de microrganismos em organismos humanos tornou-se uma área de estudos extensivos.

Uma dessas plantas medicinais valiosa é o Àrìdan ou Aìdan, da espécie Tetrapleura tetraptera e da família das Mimosoideae. O fruto Àrìdan paira sobre talos grossos nas extremidades dos ramos e são caracteristicamente de cor acastanhada. O fruto mede cerca de 15 a 25cm de comprimento e se distingue por seus 4 sulcos longitudinais que são ligeiramente curvo. Dois dos sulcos são lenhosas enquanto os outros dois contém polpa macia, aromático e oleoso. O fruto contém pequenas sementes, duras que medem aproximadamente 8mm de comprimento. O fruto é distinguido por sua polpa carnuda, quando fresco, mas essa polpa carnuda tende a ser muito forte quando seca. A parte interna do fruto é caracterizada por pequenas sementes preto-acastanhada.

Àrìdan é muito procurada devido a seus altos valores medicinais e aromáticos e, como tal, é utilizado para vários fins que vão desde ao uso culinário, terapêutico, cosmético e mágico-religioso. Amplamente utilizada na Medicina Tradicional Yorubá. 

O fruto Àrìdan contém uma elevada quantidade de fitoquímicos ou fitonutrientes essenciais que são vitais para o saudável e perfeito funcionamento do corpo. Uma excelente fonte de potássio, ferro, zinco, cálcio, fósforo, flavonóides, taninos, alcalóides, esteróides e compostos fenólicos. Ele também contém 234,42 para 379.48g/cal de energia alimentar, 7,44% a 17,50% de proteína bruta e 4,98% - 20,36% de lipídios bruto.

O Àrìdan pode ser triturado, moído, ralado ou quebrado em pequenos pedaços antes de adicionar à comida ou usar para fins medicinais. Alternativamente, o fruto pode ser dividido em dois ou em sua totalidade adicionada no alimento. É importante adicionar este “tempero” no alimento no principio do cozimento, para que o mesmo possa infundir adequadamente, suas propriedades medicinais, sabor e aroma.

Para os medicamentos fitoterápicos, os troncos, cascas, raízes, folhas e frutos da Tetrapleura tetraptera podem ser infundido, cozido, ensopado, espremido, extraído, esmagado ou transformados em misturas. 

O extrato do caule e casca dessas tem um efeito inibitório sobre o hormônio luteinizante liberado pela glândula pituitária. Isto sugere por isso que esta planta serve igualmente como um contraceptivo.
Tanto o caule, folhas e frutos são utilizados para a produção de mistura de ervas para controle de convulsão. Estudos revelaram que os extratos aquosos da planta exibem atividades anticonvulsivantes e isto confirma é efeitos inibidores sobre o sistema nervoso central.

Estudos revelam que o Àrìdan pode ser usado no tratamento da lepra, que é uma doença infecciosa que afeta principalmente a pele, nervos e as membranas mucosas causando manchas e caroços na pele. Casos graves de hanseníase podem levar a deformidades e mutilação.

O extrato dessa planta é conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias e isso sugere seus impactos inibitórias contra determinados patogênicos humanos. Como um resultado, ele pode ser usado para reduzir a inflamação do corpo, dores artríticas e dores reumáticas.

Muito benéfico ao sistema cardiovascular devido aos seus componentes fitoquímicos essenciais e, como tal, pode ser utilizado para prevenção e tratamento de doenças cardíacas.

Estudos revelam que os extratos aquosos de caule, folhas, caule, casca e raízes da planta, contem propriedades moluscicidas, cruciais para o controle de esquistossomose, doença transmitida pelas mais variadas espécies de moluscos. Normalmente usado em jardinagem, plantio e da agricultura para oferecê-la proteção e controle contra pragas gastrópodes especialmente caracóis e lesmas que se alimentam do plantio e causam danos.

O fruto pode ser seco e misturado em forma de pó para a produção de produtos dermatológicos, tais como sabonete. A grande atenção atraída para o uso desta planta para a fabricação de sabonetes é devido às suas elevadas propriedades antimicrobianas e antibacterianas. É digno de nota que essa planta ajuda a promover a formação de espuma, bem como a sua dureza. Para fazer sabão com Àrìdan, ervas secas trituradas a pó podem ser combinadas com outros óleos essenciais. Sabonetes produzidos com estes três ingredientes fundamentais têm qualidades superiores ao contrário daqueles com uma base individual.

Os pesquisadores concordam que o extrato da casca do tronco, é eficaz para prevenir a pressão arterial elevada, assim como no tratamento e controle de diabetes.

Alem de ser uma excelente fonte de vitaminas essenciais, tais como potássio, ferro, cálcio, magnésio e zinco, essa planta ajuda a fortalecer nosso sistema imunológico. Ferro ajuda a regenerar o sangue perdido, zinco oferece proteção contra vírus, especialmente aqueles que podem causar infecções do trato respiratório enquanto o cálcio e o potássio ajudam a controlar e prevenir a osteoporose e distúrbios musculares.

Tradicionalmente utilizado para a preparação de sopas especiais para as parturientes, principalmente para a contração pós-parto. Embora possa ser usado sozinho para este tipo de preparação “sopa pós parto”, no entanto, ele pode ser usado em conjunto com outras plantas medicinais. Usando este tempero para os cuidados pós-parto são atribuída a sua elevada concentração de cálcio, ferro e potássio, que são muito importantes para as novas mães. Além disso, ele ajuda a restaurar e repor o sangue perdido e promove a lactação.

Contêm compostos químicos essenciais, tais como flavonóides, glicosídeo e fenóis, que foram relatados eficazes para curar feridas.

Uma excelente fonte de antioxidantes, tais como polifenóis, alcalóides, flavonóides e taninos. Os antioxidantes ajudam a proteger nosso corpo dos danos dos radicais livres. É importante notar que os radicais livres e espécies reativas de oxigênio formadas durante o processo de oxidação contribuir imensamente para doenças tais como doenças cardiovasculares, cancro, diabetes, bem como o envelhecimento. Ele também tem uma forte capacidade de redução e eliminação de radicais.
Tradicionalmente, esta planta pode ser usado para o tratamento de asma.

Estudos revelam que o Àrìdan pode ser usado no tratamento da esquistossomose. Esta é uma infecção que é também conhecida como febre do caracol causada por vermes parasitas do gênero Schistosoma. Esta infecção ocorre principalmente nas regiões tropicais e leste da Ásia e é principalmente transmitida aos seres humanos através de caracóis ou água fresca fecal-contaminada. Os sintomas comuns da esquistossomose incluem anemia, dor, febre e repartição dos órgãos infectados.

O fruto pode ser utilizado para o tratamento de desordens gastrointestinais tais como dor de estômago, diarreia e vômitos, devido aos seus componentes fitoquímicos.

Os investigadores revelaram que os extratos aquosos e mistura alcoólica do fruto, pode inibir o crescimento de Staphylococcus aureus. A presença de glicosídicos e taninos em extratos etanoicos e água provaram serem eficazes para inibir o crescimento de bactérias.


ATENÇÃO: Este post é apenas para fins de esclarecimento e não deve ser usado como um substituto para o diagnóstico profissional e tratamentos. Lembre-se de sempre consultar seu médico antes de tomar decisões relacionadas com a saúde ou para o aconselhamento, orientação e tratamento sobre uma condição médica específica.

Baba Guido Olo Ajaguna.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

TAMBORES SAGRADOS DEVEM SER TRATADOS COM RESPEITO





Os três tambores de nossa religião, também conhecido pelo nome de atabaques, dos quais não vejo a necessidade de citar seus respectivos nomes em Ioruba e nem Fon Gbe, pois todos já estão cansados de saber; deveriam ser tratados com mais seriedade e respeito.

O Tambor “por si só” já se encontra no “status” de sagrado, pois para ser confeccionado, uma árvore teve que ser sacrificada e nessa habitava o “espirito da árvore” do qual dividia sua morada com outras entidades. O Tambor para ser encourado um animal teve que ser sacrificado, em seu corpo habitava o “espirito do animal”.

Quando esses instrumentos de percussão, adentra um Terreiro de Candomblé, os mesmos são “sacramentados”, onde cada um deles são parcialmente abertos, para que através de determinados ritos propiciatórios a essência de três divindades femininas adentrem em cada um dos tambores e após o término da cerimônia, este são novamente fechados, ou seja, essas três divindades são “aprisionadas” em seu interior, e dali só serão previamente libertadas em um determinado espaço de tempo.

Poucos são aqueles que detém o conhecimento e entendimento, desse rito, pois se assim o fosse, a maioria das pessoas teriam mais respeito pelos tambores. Aqueles que estão por detrás deles, reproduzindo o som sagrado, não são mais importantes do que os próprios tambores. Primeiro reverenciamos os tambores, nos prostrando no chão, depois pedimos a benção aos seus tocadores.

Aquele que “toca” o tambor, tem que ser preparado para tal finalidade, não é todo mundo que pode tocá-lo, principalmente um noviço que entre em transe de possessão. Os tocadores de outros terreiros, só podem manuseá-los com a permissão do dirigente da Casa de Candomblé. Tambor que todo mundo toca e faz dele o que bem entender são aqueles nas “Escolas de Samba e não os de Candomblé”.

Por algum descuido, o tambor que caí no chão, nada se vê fazer para levantá-lo de sua imprudente queda. Simplesmente o colocam de volta no estrado, independente de ser um homem ou uma mulher, para a maioria tanto faz que levantou ou quem derrubou o tambor no chão.

Enfeitá-lo com laços e laçarotes é outra questão polêmica, quanto a questão de quem amarra e quem desamara os tambores, principalmente quando se cobre os tambores com pano e quando os deixam expostos. Sem mencionar no fato de quando os tambores devem se deitar para “dormir” e o momento certo de “despertar”.

Mas não é somente as pessoas que não respeitam os tambores, tenho visto muito que existem pessoas manifestadas que mesmo nessa situação, não tem nenhum respeito pelo tambor. Como no fato de dar cabeçada, barrigada, peitada e colocar as mãos no couro do tambor, com o intuito de pará-los. Não respeitam nem a ordem das “passagens rítmicas” que emanam dos tambores.

Os tambores que não foram consagrados e sacramentados, não passam de simples instrumentos de percussão, assim como qualquer outro instrumento musical.

Em minha opinião muito particular, os tambores que são preparados ritualisticamente dentro dos padrões de nossa Nação de Ketu, deveriam ser usados somente para esta finalidade. Aqueles que cultuam Caboclo e outras classes de espíritos, deveriam ter um “terno de atabaques” para tais fins. Acredito que não haja a necessidade de explicar o porque de meu pensamento.

Para finalizar, devo declarar-me que não sei tocar, mas sei “colocar defeitos”, pois tenho “bons ouvidos”, e alem do mais, essa não é a minha função. Não podemos esquecer que o som e a precursão é a “Alma do Candomblé”. Então, aquele que não sabe e não pode tocá-los se retire detrás deles, do qual estaria prestando um grande favor em prol de nossa estimada religião.


Baba Guido Olo Ajaguna

A FONTE DE ORIGEM DE UM ORIN ASA Ọ̀SÁNYÌN LIGADO À ṢÀNGÓ



Não vejo a necessidade de descrever o referido cântico, sendo que cada qual canta de uma forma ou de outra, assim como todas as cantigas de candomblé; mas acredito que independente de uma letra acrescida ou subtraída, a essência do cântico, permaneça a mesma. Muito conhecido entre o povo de santo, do qual é entoado durante os Ritos do Sasányìn, pois aquele que o conhece irá identificá-lo em “negrito” ao longo do texto.

Ogbè - Ọ̀bàrà

Ifá diz que esse Odù em Ire prenuncia vitória sobre os adversários do 
consulente para quem Ogbè - Ọ̀bàrà  é revelado. Ifa diz que esse consulente 
precisa oferecer sacrifícios e realizar rituais para Ṣàngó.
E assim disse Ifá:

Ogbè níí bo Àrìrà mọlẹ
Àrìrà níí bolẹ
Níí bogi oko
Díá fún Olúkòso làlú Jẹnrọlá
ọmọ arígba-ota ṣẹgun
Igbà ti nbẹ láàrin ọtá

Ogbè é aquele que cobre a tempestade do Trovão
O Relâmpago está cobrindo a terra
Ele abrange as árvores da fazenda
Foram os que lançaram Ifá para Olúkòso Lalu Jẹnrọlá
que usou 200 pedras para vencer os seus adversários
Quando estava no meio de seus inimigos

Um dia Ṣàngó estava dormindo e acordou no meio de seus inimigos. 
Era difícil para ele tomar qualquer decisão em sua vida. 
Cansado de sua existência, Ṣàngó foi consultar Ifá.
Como ele poderia derrotar seus inimigos? 
O Babalawo garantiu-lhe que iria ser temido, respeitado e reverenciado
por seus inimigos. Tanto os amigos e inimigos, não teriam forças capazes
de enfrentá-lo. Ele foi aconselhado para oferecer em sacrifício um galo, 
óleo de palma e 200 seixos, grande almofariz e uma quantia em dinheiro. 
Os seixos foram colocados dentro do almofariz e outro galo foi oferecido. 
Ele realizou a oferenda. Uma enorme tempestade se formou no céu, 
os relâmpagos e trovões causaram temor aos inimigos de Ṣàngó e esses 
se dispersaram em uma grande confusão entre eles. A partir desse dia Ṣàngó
foi respeitados não só por seus inimigos mas também por seus amigos.
 
Ogbè níí bo Àrìrà mọlẹ
Àrìrà níí bolẹ
Níí bogi oko
Díá fún Olúkòso làlú Jẹnrọlá
ọmọ arígba-ota ṣẹgun
Igbà ti nbẹ láàrin ọtá

Ogbè é aquele que cobre a tempestade do trovão
O Relâmpago está cobrindo a terra
Ele abrange as árvores da fazenda
Foram os que lançaram Ifá para Olúkòso Lalu Jẹnrọlá
que usou 200 pedras para vencer os seus adversários
Quando estava no meio de seus inimigos

Wọn ní kó sákáal, ẹbọ ní ṣíṣe
Ò gbẹbọ, ó rųbọ
È̀dọọ yín ì bá gbó
Ę ó dúró d’Àrìrà?

Ele foi orientado a oferecer sacrifício
Ele cumpriu o sacrifício 
Se o seu fígado é tão forte quanto você pensa 
(se você é tão atrevido quanto pensas)
Por que você não esperou e enfrentou o Raio?

Kí l’Àrìrà fi ṣẹtẹ?
Igba ọta
L’Àrìrà fi ṣẹtẹ
Igba ọta
 
O que foi que Ṣàngó usou para derrotar a conspiração?
Duzentos seixos
Foi o que usou Ṣàngó para derrotar a conspiração
Duzentos seixos
 
Ifa diz que o consulente irá derrotar seus inimigos e suas conspirações.
Tantos os amigos o respeitarão, assim como seus inimigos o temerão.


 

Baba Guido Olo Ajaguna.

domingo, 19 de junho de 2016

I CHING e o ORÁCULO DE IFÁ

A principio, o título dessa postagem, pode parecer estranho aos olhos de meus leitores. Mas o intuito deste new post é apresentar alguns pontos de semelhanças nos métodos divinatórios do I Ching (chinês) e o método de Ifá (iorubano).

De suma importância mencionar, que os fenômenos dos oráculos arcaicos não estão somente limitados a China e a África, pois podemos encontrá-los nas mais diversas culturas, sob as mais diferentes roupagens. Entendo que os oráculos são manifestações do mesmo espírito de busca de interpretação do desconhecido.

Em uma opinião mui particular, sem desdenhar os demais oráculos existentes, o enorme êxito despertado pelo I Ching e Ifá em todo o mundo, decorre da exatidão de suas respostas.

A origem deles ainda é de difícil verificação. O fato indiscutível é a sua constância em ambos os continentes. Pertencem ao subsolo da raça humana e parecem provir de uma mesma camada do inconsciente coletivo onde vamos encontrar os arquétipos. 

Podemos formular hipóteses sobre as suas origens uma delas nos falam que ambas as tradições são extraterrena. Deparamos personagens míticos da mesma espécie nas duas culturas referente às origens dos povos. E em todas elas a mesma indicação de uma origem extraterrestre, ainda que embora, essa teoria seja de grande polemica.

Limito-me a descrever o complexo método de manipulação de ambos os oráculos, assim como seus ritos propiciatórios que antecedem a consulta, pois seu contexto não cabe nesse trabalho.
Para se obter os símbolos do I Ching, denominado de hexagrama serão utilizados cinqüentas varetas de caule de milefólio (Achillea milefolium – Asterraceae).


Esse signo será formado por dois trigramas. Dessas 50 varetas, uma será retirada e as 49 restantes serão divididas em quatro grupos; deverão ser manipuladas por seis vezes, e a cada manejo será registrada uma linha cheia ou vazada em sentido horizontal. Os traços lineares devem ser registrados de baixo para cima. Dentro desse sistema divinatório existem 8 trigramas primários que dão origens a 64 hexagramas, ou seja, 8x8.


 No caso de Ifá, os símbolos são denominados de Odù, e para se obter seu registro, são utilizados dezesseis coquinhos (nozes) de um tipo especial de palmeira de dendê que ao invés de apenas dois olhos como nas palmeiras comuns, apresentam três ou mais olhos. (Elais guinessis - Idolátrica - Palmae ).




Esse signo, do qual tomo a liberdade de denominá-lo de octograma, será formado por dois tetragramas. Os respectivos caroços, conhecidos pelo nome de Ikin Ifá serão manipulados por oito vezes, e a cada manuseio será registrada um traço único ou duplo, em posição vertical. Inserido no sistema divinatório de Ifá existem 16 signos primários que darão origens a 240 signos secundários, totalizando em 256 símbolos, ou seja, 16x16.  Da mesma forma que o I Ching, os traços devem ser riscados de baixo para cima.
(fotos dos caroços, tetragrama e octagrama)



“A identidade é flagrante”



Observem que o hexagrama do I Ching é o resultado da fusão de dois trigramas, em contrapartida com a fusão dos dois tetragramas, que dão origem ao octagrama de Ifá, onde as linhas extremas se fundem “numa só” comum aos dois oráculos, pois tanto um trigrama, assim como um único pentagrama, não poderia ser concluída a consulta ao oráculo.


É interessante notar que o número 4 (a unidade quaternária) básico na contagem das varetas do I Ching, está presente no Oráculo de Ifá se comparado ao número 16 (4x4).

Tanto no I Ching como no Ifá, existe um método mais rápido de se obter os respectivos símbolos; no primeiro a utilização de três moedas chinesas que serão lançadas por seis vezes.


No segundo é utilizado uma corrente com oito favas (Schrebera arborea - Oleacea), conhecidas pelo nome de Ọ̀pẹ̀lẹ̀ Ifá. Com um único lançamento do rosário divinatório aparecem 2 figuras que possuem um lado côncavo e outro convexo, que combinadas, formam o Odù.





Outro fator interessante, é que após o registro tanto dos signos do I Ching, assim como os signos de Ifá, uma série de narrativas são iniciadas, em um texto rico em parábolas, metáforas e personagens míticos.

Em tempos atuais, as sucessivas edições e comentários sobre o I Ching e Ifá, bem como inúmeros grupos de estudos nas maiores universidades do mundo, a eles dedicados, são uma prova de que os seus ensinamentos, pouco ortodoxos em matérias de ciência, são uma realidade que não pode ser contestada.

Cabe-nos agora referirmos-nos a importância que esses ensinamentos arcaicos podem trazer ao nosso mundo. Acredito que há uma necessidade urgente de reformulação dos padrões tradicionais científicos, cito, “Religião e Ciência se fundem, mas não se confundem”.

Entendo que esteja acontecendo no Mundo Espiritual à “Revolução equivalente à ocorrida no Mundo da Ciência” quando, na Renascença, as concepções homo centradas foram substituídas por um universo de múltiplas dimensões.

O pensamento racional, lógico, concreto, irá ser abalado gradativamente à medida que técnicas arcaicas vão ressurgindo e demonstrando a sua extrema adequação no tratamento dos fenômenos. Nota-se desde um século atrás, aproximadamente, uma incontida sede pelos métodos arcaicos.

Todos os caminhos são validos quando podem levar o homem ao encontro de si mesmo; mesmo que essa busca usou métodos não convencionais para alguns. Deixemos de lado os nossos preconceitos prontos para compreender a linguagem que os oráculos nos fala, “o som de idades perdidas ressoa em suas palavras”.


Baba Guido Olo Ajaguna

quarta-feira, 15 de junho de 2016

ÒS̩ÙPÁ – A Lua



ÒS̩ÙPÁ – A Lua

O termo Òs̩ùpá esta averbado nos dicionários Yorubá – Português para a palavra “Lua”. Entretanto, dentro de um contexto religioso, não se refere apenas ao nome de um corpo celeste e sim de uma Divindade, cuja essência é puramente feminina, da qual nasce no Odù Ogbè-Òsá.

Essa enigmática Divindade, também conhecida por seu epíteto Ìkán Ọrún – Um Pingo no Firmamento [Odù Ọkànràn-Òfún] revela seus poderes sobrenaturais em vários Odù Méjì e seus Ọmọ Odù.

Os princípios metafísicos expressos nos Signos de Ifá, postulados da física hiperdimensional afirmam que os portais são abertos e fechados no Àiyé – Terra, como resultado da interação de outros planetas, do sol e da lua. Vejamos algumas citações da Lua dentro do corpo dos seguintes Odù:

Odù Ogbè-Ọyẹkú
“Apenas uma Lua é muito mais luminosa do que todas as Estrelas”  “A Lua Cheia atingiu seu mais luminoso, anunciando um novo dia”

Odù Ogbè-Òsá
“Seus pedidos devem ser dirigidos à Órùn – Sol e Òs̩ùpá – Lua” “Revela o Adura – Oração, que deveremos fazer a primeira Lua do Ano Novo”

Odù Ogbè-Òfún
“Com ou sem a Lua, o Ọba (Rei), sempre será respeitado quando o encontramos” “A Lua sobre Ọyọ, ajuda o Alafin (Senhor do Palácio), a saber, o que esta acontecendo nas províncias” “Revela de como Òs̩olofín outorgou que a Òs̩ùpá reina-se somente durante a noite”

Odù Ìwòri Méjì
“As conseqüências pelo fato de Òs̩ùpá não ter realizado o sacrifício determinado por Ifá”

Odù Ìwòri-Irosun
“A guerra entre o Povo que cultuava Órùn e o Povo que cultuava Òs̩ùpá”

Odù Iwori-Irete
“A Terra onde de dia fazia muito calor e a noite muito fria, onde no principio muitos homens morreram”

Odù Òdi-Ògúndá
“Ifá de Òs̩ùpá proíbe seus filhos em ficar ao relento do luar”

Odù Ọkànràn-Ògúndá
“Determina que em certas ocasiões se ofereça Saraẹkọ à Òs̩ùpá”

Odù Ògúnda-Ọkànràn
“A ligaçã entre Oronã-Àpádá e Òs̩ùpá” “Um sacrifício à Òs̩ùpá”

Odù Ògúndá-Òs̩é
“A ligação entre Òs̩ùpá e o período menstrual da mulher”

Odù Òsá Méjì
“Rege as relações existentes entre Àiyé e Òs̩ùpá” “Os pássaros que desejavam destruir o algodoeiro de Ọbatala pedem ajuda à Òs̩ùpá”

 Odù Òsá-Òdi
“Porque os pescadores se orientam pelas fases da lua, para que suas pescarias tenham êxitos”

Odù Òtúrá Méjì
“O Sol não pode capturar a Lua”

Odù Òs̩é-Ogbè
“A influência de Òs̩ùpá em seu Quarto Minguante sobre as mulheres”

Odù Òs̩é-Ọyẹkú
“Se conhece a Terra pelo barro e o Céu pela Lua”

Odù Òfún Méjì
“Revela que seu astro regente é a Lua” “A Terra da Escuridão” onde somente existia a Luz do Luar.

Odù Òfún-Ogbè
“Nasce à cerimônia do sacrifício à Òs̩ùpá.

 Odù Òfún-Òsá
“Os fenômenos e correntes astrais de Òs̩ùpá e seu ciclo lunar” “A rivalidade entre a luz do solar e a luz do luar”

A etimologia da palavra Òs̩ùpá ainda se torna um mistério para a compreensão humana, do qual repousa na obscuridade.

A maioria das sociedades tem honrado a presença da Lua como um Ser Místico, sobre tudo a Sociedade Gẹlẹdẹ, onde em noite de lua crescente durante as reuniões denominadas de Ọrọ Ẹfẹ, surgem dançarinos carregando mascaras, onde podemos notar claramente o símbolo da lua crescente, enquanto outros surgem com mascaras, onde a “meia lua” esta em uma posição invertida.







A simbologia da lua crescente, durante o Ọrọ Ẹfẹ esta associada ao fato de permitir que todos possam ver claramente e desfrutar dessa sagrada cerimônia. “A Luz da Lua Crescente aclara como os olhos de Òs̩olófìn, dão claridade a todos nós” [Odù Ogbè-Òsá].

Outro poder simbolizado pela lua crescente é também uma referencia ao “tempo do tempo” da cerimônia e a tradição de uma vigília; se trata do momento mais apropriado para apelar às mulheres idosas e outras Divindades Anciãs, que são mais atentas durante as horas de escuridão. “A afinidade sagrada entre a Lua e as Mulheres é encontrada dentro de nosso útero, aquele lugar escondido que se abre para revelar nosso fluxo sagrado, seguindo em uníssono, o movimento da lua ou o surgir de um novo ser” [Ìyá Ademuyiwa].

Durante o Ọrọ Ẹfẹ são recitados várias canções populares que fazem alusão à Òs̩ùpá. Essas canções são denominadas de Ẹka, que nem sempre são longas. Muitas vezes eles são breves, um tipo de condensado do texto mais longo, que pode ser repetido várias vezes, ou podem ser considerados imagens verbais sucintas que evocam um contexto mais amplo. Como um provérbio ioruba explica, “é necessário dar apenas metade do discurso, para a pessoa bem educada, dentro dele”, isto é, “um fragmento é suficiente para recordar um texto ou um contexto inteiro”. A Ẹka abaixo é um fragmento que alude a uma canção popular:

...la la la la e jó e e Òs̩ùpá jó e...
...o le l’Òs̩ùpá ko le já...

Com grande brevidade evoca uma canção sobre um eclipse, comparando-o a uma luta entre Órùn – O Sol e Òs̩ùpá – A Lua; e que mesmo assim a Lua continua a seguir o seu caminho dançando.

A relação entre Òs̩ùpá e os Òrìs̩à, principalmente com as Divindades Fluviais é representada por uma Lua Crescente em miniatura, presa a uma corrente de elo, com vários outros emblemas também em miniatura. A essa peça que complementa os “assentamentos” de nossas divindades é popularmente denominada entre o povo de santo de “penca”.

Em algumas linhagens, ou seja, na minoria delas, antes de qualquer rito ou cerimônia, de pequeno ou grande porte, a Lua é consultada para saber em que fase lunar a mesma se encontra; enquanto que para algumas linhagens isso não passa de meras superstições e crendices europeias.

Baba Guido Olo Ajaguna