quinta-feira, 23 de março de 2017

ÈṢÙ ESCRAVO DO ÒRÌṢÀ? NÃO QUE EU SAIBA!


Èṣù não esta privado de liberdade; não está submetido à vontade de um senhor a quem pertence como propriedade; não esta submetido à vontade de outrem e nenhuma espécie de poder ou força incontrolável.

Ele é um Ser Independente e não um Ser totalmente Dependente, que não consegue se livrar da influência e do domínio de qualquer outro Òrìṣà, que senão dos Domínios do Ser Supremo Olòdùmarè "e olhe lá".

Esse enigmático habitante dos dois planos de existências ọ̀rún - àiyé, não trabalha exageradamente, não vive entre mortais e imortais para simplesmente trabalhar e muito menos sem qualquer tipo de remuneração ou recompensa por seus trabalhos. Todo o trabalho que Èṣù for realizar, pagamento adiantado, as vezes uma barganha ou outra e poucos são aqueles que tem a graça de ouvir dele "depois você me dá um agrado"; o que se trata de um perigo eminente, pois pode ser uma cilada!

O "trickster" do Panteão Ioruba, não pode ser considerado um servo, que simplesmente trabalha como ajudante ou criado de outra Divindade. Para que algo mágico aconteça e resultados favoráveis apareçam, dependemos mais da Força de Èṣù do que do próprio Òrìṣà, ou seja, sua função junto a divindade é indispensável e insubstituível.

Então, que tal chamar Èṣù de Òjíṣẹ́ Òrìṣà - Mensageiro das Divindades ou invés de Ẹrú Òrìṣà - Escravo das Divindades? ou mesmo antes de dizer isso e outras coisas, que tal estudar um pouco de Teogonia Ioruba?

Baba Guido Olo Ajagúnà

O CANDOMBLÉ e a VISEIRA DE BURRO.


Conhecer o Mundo Religioso do Candomblé entre outras coisas é conhecer seus mitos e ritos. Desde da iniciação ouvimos as histórias contadas por nossos Mais Velhos, que as utilizam para nos explicar o que vemos e não compreendemos. A curiosidade do noviço, faz com que absorve em silêncio quase tudo, e muitas vezes não tendo a chance de perguntar absolutamente nada.

A questão é quando esse sistema de conhecimento baseado em “histórias únicas” prevalece e prossegue durante toda a vida de um religioso. Essas "verdades únicas" podem, num futuro não tão distante, se transformar em fonte de desentendimento, distância, estupidez etc etc etc.

Jumentos religiosos prisioneiros da viseira da burrice, dos estereótipos da versão única de uma história sobre um povo ou indivíduo, tendem agredir com palavras de descaso e chacotas. Sabemos o quanto de dor pode causar o coice de uma pessoa que se satisfaz apenas com o que ouviu falar ou o que disse um certo livro sobre tal assunto.

Ainda que relincho possam machucar, seriam problemas menores se no mundo humano correspondessem apenas a vocalizações desconexas. Mas sabemos que seres humanos são bons em transformar toda e qualquer coisa desconhecida em debates e questionamentos sem fundamentações básicas, além de violência verbal de personagens malditos como aqueles que tenho citado nos "posts de protesto" deste espaço.

Aceitar uma única versão sobre um fato, uma pessoa, um povo, uma história pode ser cômodo, pode ser o que o grupo do qual você pertença espere de ti. Mas se um coice seu doer em alguém, saiba que um dia o de alguém vai doer em você também.

A exemplos de minhas postagens que tem o objetivo de mostrar conceitos equivocados, que de gerações em gerações, entram na cabeça das pessoas como "histórias únicas" e para tirar as pessoas da cegueira e da ignorância”.

Ignorância tem cura. E essa cura passa pela curiosidade, ou menos exigente, pela não aceitação do que se ouviu uma vez ou de uma fonte apenas. Há vários níveis de “histórias únicas” dentro de nossa religião.

Porém, não as obrigo a retirar as Viseiras de Burros e não tenho como impedir que se assustem com tudo o que não esteja no campo de visão abarcado por essa indumentária imposta por alguns religiosos, fazendo de seus pobres seguidores, enxergar apenas seus costumes e tradições e não as que estão ao lado.

Se os jumentos com viseira dificilmente conseguem se livras das mesmas por meios próprios, é claríssimo que com seres humanos a coisa é diferente. De modo que pra evitar essas metáforas de jumentos, que tal deixar a preguiça de lado e no mínimo, conversar com aquele outro amigo religioso e procurar saber um pouco sobre os costumes e tradições, antes de ultra simplificar tudo e meter na gaveta do “Caso Encerrado: eu sei que a vida religiosa é assim e ponto final.”

Baba Guido Olo Ajaguna

domingo, 19 de março de 2017

RELIGIÃO NÃO É APENAS UMA QUESTÃO DE ESCOLHA



Há momentos na vida que naturalmente temos ações descompromissada, e muitas vezes utilitária. Podemos decidir se vamos viajar ou ficar em casa nas férias, ou se  vamos experimentar um prato da gastronomia mediterrânea, ou ficar no bom e velho arroz com feijão. Porem existem quesitos que não se experimentam de maneira altruísta. 

Não tem como simplesmente hoje experimentar a iniciação e amanhã desfazer o experimento.  A partir do momento que você se submeteu aos ritos de iniciação sua vida esta  diretamente ligada com a Divindade Tutelar ou como diria: "Se a flecha foi lançada a cegas, não reclame a quem esta possa ter atingido", acabou esta feito; essa é a Lei da Ação e Consequência.

A verdade é que em nossa religião, assim como todas aquelas existentes neste mundo é absolutamente suprema; fonte de sentido para toda a vida,  algo tão sagrado, tão intocável, que ao mesmo tempo torna se frágil, não podemos nos aproximar de forma demasiada à esta.  Não é apenas uma questão de gostar, e sim de vocação e dedicação.

Diante de uma questão muito peculiar da minha parte, entrar em conexão com as divindades, não é algo que pode se experimentar como se fosse ilhas de degustação em feira livres. Somente depois, de um contato paradoxal,  junto ao que comprometa a sua idoneidade com o mundo espiritual, fazendo com que este ser-humano possa compreender plenamente a sua lucidez e reconhece à si próprio todas as consequências de seu livre arbítrio. 

Muitas pessoas frequentam Casas de Candomblé porem não sente nada, não se ver nada mudar,  porque muitas vezes nunca existiu realmente aquele passo inicial e fundamental que só pode ser feito em silêncio e de mãos postas. 

Mais do que todas as coisas na vida, a essência da religião somente é compreendida no interior da fé. A religião do candomblé é uma filosofia que nos transforma constantemente. Depois que nos submetemos a iniciação não dá para entrar e sair desta quando se  bem entende. 

Os traços da iniciação, plasmados em seu corpo e espirito de forma voluntaria não existe como ser retirado. Assim como os ritos litúrgicos do batismo que a sociedade cristã dogmática impõe. Entendo que o rito de iniciação do candomblé não sobrepõe o batismo cristão e vice-versa.

Baba Guido Olo Ajagúnà

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

     O LADO PODRE DO CANDOMBLÉ DO RIO DE JANEIRO!



"A cada dia que passa, estou chegando a conclusão que realmente o Povo de Candomblé não vale aquilo que defeca"

Existe em circulação pelos meios de comunicação, a priori no WhatsApp, uma "Lista Negra" com os nomes de Pais e Mães de Santo do Estado do Rio de Janeiro, na qual os autores da mesma, nomeiam do 1º ao 10° lugar os "mais difamados" e do 1º ao 10º lugar os denominados "as marmoteiras apagadas".

Esse grupo de pessoas, fazem menções aos Pais e Mães de Santo, quanto as suas orgias sexuais, consumo de álcool e drogas, crimes de estelionato, aliciamento de menores, crimes de prostituição, condutas impróprias no exercício do sacerdócio, pseudos sacerdotes, comércio religioso e ainda citam os portadores do vírus HIV, ou seja, os denominados soros positivos.

Ainda podemos encontrar nessa lista a seguinte descrição: "Cuidado estamos de olho em pessoas ardiloso, teremos o prazer de ver o fenecimento de todos! Nada ficará implícito ou incólume a nossa visão. As nódoa do candomblé serão revelados, iremos suscitar as pérfido veneta desse povo!!!"

A expressão "pérfido veneta" chega a ser hilário, da qual tenho certeza que aquele que mencionou, não sabe o que estava escrevendo.

Pois bem...

Esse tipo de atitude caluniosa e difamatória irá colaborar com a nossa religião em que sentido, há não ser denegrir mais ainda a imagem dos adeptos do candomblé? Pelo o que sei, muitas das pessoas ali citadas ainda continuam com seus Terreiros de Candomblé em pleno funcionamento, ganhando "rios de dinheiros", com suas atividades ilícitas ou não.

Querem "limpar" o Candomblé do Rio de Janeiro? Sugiro que criem um "Grupo de Extermínio Religioso" muito bem preparado, pois essa suposta "Lista Negra" de nada vai funcionar, e todos sabemos que para conseguir "armamento pesado" não é tão difícil assim.

Quando de minha menção "sugiro que criem um Grupo de Extermínio Religioso" estou plenamente ciente que isso pode ser caracterizado o Artigo 287 do Código Penal "Apologia ao Crime". Mas ainda continuo a incentivar os autores da referida lista, pois aí saberemos até onde vai a sua coragem de entrar em um Terreiro de Candomblé, quebrar tudo, incendiar, assassinar os dirigentes e seus seguidores (que é para não deixar rastros), porque colocar nome em lista e se esconder por detrás de uma tela de computador ou celular é muito fácil. Quero ver se arriscar em LIMPAR AS SUJEIRAS DO CANDOMBLÉ e passar o RESTO DE SUAS VIDAS EM CÁRCERE PRIVADO, ensinando e aprendendo candomblé dentro de um SISTEMA PENITENCIÁRIO.. Isso é sinônimo de COVARDIA!!!

Deixo bem claro que essa postagem não tem o intuito de defesa de quem quer que seja, pois não me interessa a vida de outras pessoas há não ser a minha própria vida. Só quero apresentar a todos de minha página e aos compartilhamentos dessa, A QUE PONTO CHEGA O SER HUMANO, se assim podemos chama-los.

Baba Guido Olo Ajaguna.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

TERREIRO DE CANDOMBLÉ EM SOLO PRÓPRIO NÃO DESMERECE AQUELE QUE ESTA EM SOLO ALHEIO!


TERREIRO DE CANDOMBLÉ EM SOLO PRÓPRIO NÃO DEMERECE AQUELE QUE ESTA EM SOLO ALHEIO!

De certo que exista uma linha que separe um Terreiro estabelecido em casa própria daquele que se estabelece temporariamente em casa alugada.

Sabemos que em terras próprias podemos “acomodar” determinadas Divindades, Deidades e Entidades, que não se poderiam fazer presentes em terras alheias. Mas isso não implica no impedimento de realizar ritos de iniciação e consagração, pois se assim o fosse, muitos iniciados deveriam fazer a sua re-iniciação no Culto aos Òrìṣà.

Poderia aqui nessa postagem, citar nomes de Grandes Baba e Ìyálòrìṣà que começaram o seu Legado Religioso em casas de aluguel e se mudaram por várias vezes para outras casas ainda que alugadas, até seu Terreiro se estabelecer definitivamente em sua propriedade.

Mas não vejo essa necessidade de dar “nome aos bois”, pois muito dos meus leitores tem a mesma “idade de santo” que a minha pessoa e muitos aqui ainda são “meus mais velhos” e devem recordar perfeitamente daqueles que começaram a sua “Jornada Religiosa em Terra Alheia”.

Entretanto, é inadmissível ouvir de um Baba ou Ìyá, assim como de seus descendentes, que num passado principiou suas atividades em solo alheio dizer: “Quem não tem casa própria, não pode ser Pai ou Mãe de Santo, não pode abrir Casa de Santo”. Aquele ou aquela que assim diz, esta se referindo a si próprio de que maneira? Para que tamanha hipocrisia? Qual a finalidade de querer esconder esse passado?

Em uma colocação mui particular, acredito que a frase mais adequada seria a seguinte: “No passado eu tinha Terreiro de Candomblé em casa de aluguel, mas lhe aconselho abrir a sua Casa de Santo em terreno próprio pelos seguintes motivos...”.

Mas infelizmente em nossas vidas “Temos histórias para contar e histórias para esconder”, até mesmo em nossa vida religiosa.


Baba Guido Olo Ajaguna

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

BABA GUIDO CANTAVA MUITO, AGORA CANTA POUCO!!!




Num passado não tão longínquo, eu cantava 1.000 cantigas para os Orixás, agora canto apenas 100. Mas desses 100 cânticos eu sei a interpretação, o significado, ou seja, a essência da cantiga e o momento mais apropriado para ser entoada.

Não canto mais absolutamente nada daquilo que não sei ou não tenho a mínima noção do que esteja pronunciando, independente da fonte de origem da cantiga. O dito popular entre o Povo de Santo: “Eu canto assim porque Pai ou Mãe Fulana cantava assim” comigo não funciona; embora respeite quem compartilhe desse pensamento.

Sou convicto e assumido que um dia habitei a “Terra dos Papagaios”, mas optei em não mais viver nessa “civilização de pessoas que memoriza e repete o que ouve ou lê, sem compreender o que diz.”, embora respeite quem ainda permaneça nela, com seu imenso repertório de toadas, muito delas condenadas à “Eterna Escuridão do Entendimento”.

Minha eterna gratidão aos “meus mestres” que graciosamente retiraram as vendas dos meus olhos e assim, permitindo dar os primeiros passos em direção ao saber e, ao mesmo tempo, revelaram o colorido dessa vida religiosa que antes se apresentava em branco e preto e sem as  dimensões e contrastes. Dos primeiros passos até hoje, a caminhada foi longa e não teria chegado onde  cheguei se não tivesse seres maravilhosos ao meu lado, indicando caminhos e lapidando o Ser que ainda permanece nessa longa e difícil jornada do sacerdócio.


#ficaadica
#exijorespeito
Baba Guido Olo Ajaguna

domingo, 6 de novembro de 2016

ANDANDO NA CONTRAMÃO DA RELIGIÃO.



Não pretendo fazer aqui, a apologia da indisciplina religiosa, nem tão pouco, incentivar o desrespeito às Leis das Religiões. A contramão a que me refiro tem a ver com os sentimentos, os valores, os princípios e as atitudes, que circulam no coração de um religioso.

São as Jornadas Religiosas durante nossa estadia nesse mundo que nos interessa nessa postagem, com seus "engarrafamentos" que impedem o fluxo de nossos sonhos e, muitas vezes, nos obrigam a desviar caminhos que terminam em becos sem saída e muito deles sem volta.

Se percebermos a vida religiosa como uma viagem, é preciso coragem e ousadia para alterar algumas rotas pré-estabelecidas, e para tanto, é necessário aprender a andar na contramão, pelo menos, em algumas ocasiões.

Estamos vivendo a Era da Desilusão, onde a grande maioria da humanidade está “desencantada” com a vida, sobre tudo a vida religiosa; o pessimismo e o negativismo vão dominando os pensamentos, destruindo em muitos a coragem para lutar, andar na contramão é ser otimista.

Hoje, mais que nunca, é preciso cultivar o otimismo; não aceitar o caos como algo já determinado e lutar para alterar as rotas do desânimo e da apatia. As verdadeiras mudanças começam dentro de nós mesmos, e são elas que redesenham os caminhos da nossa existência. 
Outra atitude que vai ao sentido contrário à maioria é a perseverança, isto é, a determinação de continuar lutando. Nós somos a geração das facilidades e das respostas imediatas. O imediatismo influência de tal forma a nossa existência, que o bom, não é mais aquilo pelo qual lutamos, mas o que recebemos pronto e rápido.

Por isso mesmo, por falta de perseverança, muitos dos nossos sonhos vão ficando para trás e as conquistas atuais como: casamento, família, trabalho, etc., correm o risco de serem também destruídos. Sonhar, lutar, persistir, cair, mas jamais ficar prostrado, são virtudes presentes nas biografias de homens e mulheres que viveram, venceram e fizeram a diferença. 

Outra forma de se andar na contramão, é a coragem para ser verdadeiro. Nossa cultura é edificada a partir de muitas contradições, e o “faz de contas” passou a ser algo indispensável no cardápio da sociedade.

Chegamos ao ponto tal, que as pessoas acham que e vergonhoso ser honesto, verdadeiro e transparente. É preciso romper com o tráfego das mentiras, que a “cultura” vem legitimando como o sentido único para a vitória. É preciso bloquear as saídas por meio do suborno, do engano e da ilusão. Seja uma pessoa verdadeira! Tenha orgulho de si mesmo. Não há virtude alguma em viver enganando-se a si mesmo e tentando enganar aos outros. 

Finalmente, andar na contramão, é decidir ser diferente, quando necessário, ainda que, isto implique caminhar no sentido oposto à “mão única” escolhida pela maioria, como por exemplo:

-     Quando todos desistirem continue lutando;
-     Quando todos descrerem exercite a sua fé;
-     Quando todos murmurarem louve a Deus;
-     Quando todos odiarem aprenda a amar;
-     Quando todos mentirem fale só a verdade. 

Enfim, nesta viagem religiosa, os Caminhos de Deus, que sempre conduzem a vitória, à felicidade e à paz, muitas vezes, não seguem roteiros, são percorridos na contramão da história, especialmente quando essa história é marcada pelas rotas da tristeza, da derrota e da destruição.

Por isso, andar na contramão, seria poder também, andar com Deus e com o Sagrado?

Baba Guido Olo Ajguna.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

QUEM EM FOFOCA VIVE DESFOCA NA VIDA!

“O fofocar pode desfocar, porque tira o nosso foco, nos mantém fora das atenções principais da vida”. Faz de aquele momento querer o mal de nossos semelhantes. Quantas coisas na vida foram desfeitas por “palavras venenosas” que trouxeram discórdia e semearam o ódio?
Realmente o “fofocar” existe em todas as esferas da sociedade, muitas vezes maculando e manchando os caminhos por onde passa.
Em minha jornada religiosa tenho me deparado com situações e momentos em que o assunto de certas reuniões nada mais nada menos era falar da vida alheia, ou seja, “fazer fofocas”.
Em simples resumo, podemos definir que o “hábito do mexerico”, muitas vezes nasce do sentimento de injustiça de um determinado individuo, quando surge a inveja do sucesso e crescimento do outro, e segundo sua própria concepção, o mesmo deveria estar desfrutando daquela alegria. Quando alguém está feliz e o outro infeliz, a frustração não demora vir a tona; não se contendo, começa a “detonar” com o outro. Quando a alegria do outro está incomodando, começa a busca pelos defeitos, imperfeições e com certeza uma das coisas mais tristes, o alegrar com a queda do outro e se entristecer com suas vitórias.
Um dito popular diz: “Toda ausência é atrevida”. A ausência é amiga da fofoca e quando o outro não está para se defender é muito fácil dizer o que bem entender.
Tem coisa mais feia do que falar pelas costas coisas negativas, denegrir a imagem do outro?
Em uma colocação muito particular, esse é pior de todos os males, quando matamos a honra, a moral e os princípios da pessoa ausente, sem lhe dar mínima possibilidade de defesa e direito de resposta.
Quem crê no Deus Supremo e no Sagrado, sabe muito bem no “poder da palavra” e que nossa língua foi feita para proferir boas palavras, construir, edificar e não ao contrário.
Temos que nos conscientizar em nos manter afastado dos lábios mentirosos e difamadores não darem ouvidos a palavras que desmoralizam o próximo, não alimentar conversas maliciosas, não propagar “contos da vida alheia”, dos quais dizem respeito somente aos mesmos.
Certa vez uma senhora muito religiosa me disse: que quando nos reunimos para falar da vida alheia, uma energia muito ruim começa a se formar ao nosso redor e essa energia acaba por se plasmar em nosso interior e até mesmo nos batentes das portas, telhados e paredes de onde estamos presentes. Superstição ou não, acredito nisso até os tempos de hoje.
Falar da vida alheia é uma grande perda de tempo, mas parece que tem muita gente que se esquece de sua vida e se importa em gastar seu precioso tempo se interessando na vida dos outros.
Pense nisso, quando for abrir sua boca: Imagine se suas palavras irão “construir ou destruir?”, “edificar ou derrubar?”, “gerar vida ou morte?”.
Se não valer a pena o que vai dizer, o melhor é ficar em silêncio, se não tiver palavras boas não profira palavras más. Retire-se e faça uma prece a Deus, as Divindades, as Deidades, as Entidades, aos Santos ou aos Encantados.
Baba Guido Olo Ajaguna


terça-feira, 11 de outubro de 2016

BABA KÉKERÉ - UM RELATO DE DEVOÇÃO E DECEPÇÃO.



Antes de prosseguir, gostaria de justificar que o intuito dessa postagem tem a finalidade de apenas se tornar de conhecimento público, aquilo que julgo ser a minha verdade.

Recebi o Cargo Religioso de Baba Kékeré (outorgado pelo Santo da Casa) no Terreiro de Candomblé denominado de Àṣẹ Bí Arọ̀, presidido pelo Babalòrìṣà Radamés Mendes Queiroz de Òṣogìyán.



Entretanto, depois de quase 30 anos exercendo a minha função da qual foi designado e também acumulando funções de outros cargos, decide cortar definitivamente os laços com a referida Casa de Candomblé e deixar o meu posto em aberto e disponível para ser ocupado por outra pessoa igual ou melhor que a minha qualificação religiosa.

Existem vários motivos de meu desligamento do Àṣẹ, dos quais seria uma tremenda falta de ética religiosa, enquanto os que seguem abaixo apresentados não traria qualquer constrangimento.

Sempre que possível, ou melhor, na maioria das vezes, estava presente nas funções do Àṣẹ, sem me importar com compromissos familiares e muito menos com o meu companheiro, pois sempre acreditei no provérbio “Por causa do Santo se beija o altar” hoje não acredito mais, pois a vida me mostrou diferente.

No principio, a falta de reconhecimento das funções que ali executava e pelo fato do Senhor Radamés ser o Sumo Sacerdote do Templo, obviamente recebia todos os créditos, onde deixava muito bem claro a todos os visitantes que ali eu era o Kékeré “o pequeno” no sentido pejorativo da palavra. Talvez o dito popular “Vestir a boneca para o outro dançar” encaixe perfeitamente como um quadro figurativo.

Os cânticos puramente Ìnàgò que “levei” e “não ensinei” para o Àṣẹ em nome do Santo da Casa, quem levava os créditos eram Ìyá Cidália de Ìrokò, uma das Ẹ̀gbọ́n mais antigas do Terreiro do Gantois, pois ele dizia a todos que tudo o que ali se cantavam e realizam foram palavras ensinadas por essa Sabia Senhora que hoje descansa em paz aos Pés de Olódùmarè.

As Divindades, Entidades e Deidades que “levei” para o Terreiro do Àṣẹ Bí Arọ̀, vieram da Casa de Candomblé do Pai Muxiala e os méritos foram todos para o Babalòrìṣà Indare, atual dirigente do Terreiro do Ọba Tayọ́, pois hoje ele afirma que a maioria das entidades que ali estão presentes foram “acomodadas” por esse Grande Senhor (que assim o considero), sendo que nem todas ali presentes foram consagradas e sacramentadas por Baba Indare. Alem de poucas terem vindo da casa do Babalòrìṣà Beto Akijunsun, meu finado irmão de santo e pai de santo do Senhor Radamés.

Poderia relatar todas as Divindades que ali se fazem presentes, sua representação, origem e localização, pois sendo a segunda pessoa da casa tenho esse devido conhecimento, mas considero essa uma atitude imprudente.

Se não bastasse tudo isso, o ilustre Pai de Santo, tenta de toda a forma difamar e denegrir a minha imagem, não importando se a pessoa me conhece ou deixa de me conhecer; todos os meus amigos sem exceção que vão visitá-lo sempre tem uma “história escabrosa” com o meu nome; e assuntos graves que se os mesmos se propuserem a servir de testemunha se tornaria Caso de Justiça e seria causa ganha garantida por calunia e difamação; mas infelizmente não é bem assim que as coisas funcionam.

Seu companheiro José Luis Caldas Oni Sàngó, iniciado e consagrado pelo meu Àṣẹ, antes eu era o melhor Pai de Santo do mundo, hoje não esta mais comigo e não sirvo para absolutamente nada. Ele diz ter sido uma opção dele. Será?

Foram quase três décadas de acontecimentos bons e ruins dentro do Àṣẹ Bí Arọ̀, assim como acontece com muitos outros, não sou e nem serei o ultimo a passar por esse tipo de constrangimento. Mas a questão está na traição, ingratidão e falsidade, são essas que mais ferem o coração e a alma do ser humano, machucam muito mais que palavras.

Se não deu certo não deu, paciência, “temos que aceitar as perdas, assim como aceitamos os ganhos” e que cada qual siga o seu caminho, ele triunfando no Terreiro do Bí Arọ̀ e eu no Terreiro da Casa Grande, mas infelizmente nem todas as pessoas dentro de minha religião são portadoras de boa índole e bom caráter.

Hoje sou considerado pra ele o seu pior inimigo, um inimigo mortal, sendo que eu não o considero dessa forma, mesmo com tantos motivos aparentes, mas de que adiantaria esse mau pensamento? Eu apenas desejo que o mesmo pare de me difamar e caluniar, só isso, nada mais que isso. Não peço reconhecimento algum por parte do Terreiro do Bí Arọ̀, pois seria tarde de mais para isso; o tempo já se passou e não volta mais.

Aqui termino com a frase de um dos filósofos mais sábios desse mundo: “Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas” Confúcio – Filósofo Chinês.


Baba Guido Olo Ajaguna

quarta-feira, 27 de julho de 2016

UM CONTO DE CRENÇA E FÉ



“Entendo que se a Fé em algo é inabalável e a intenção é boa, algumas coisas são relevantes, 
mas não deixam de ter a sua real importância”



Um religioso de grande devoção e versado no Culto aos Orixás, certa vez cruzava um rio com seu barco, quando ao passar por uma pequena ilha, ouviu a voz de um homem que muito desajeitado tenta exaltar as suas rezas as Divindades das Águas.

Em seu interior não pode por menos que entristecer o religioso. Como era possível que alguém fosse capaz de entoar tão más aquelas rezas?

Talvez aquele homem, ignorava que as rezas deveriam ser recitadas com a entoação adequada, o ritmo e a musicalidade precisa e com perfeita pronuncia.  

Decidiu então ser generoso e desviando de seu curso, decidiu atracar o barco nessa ilhota, a fim de instruir aquele pobre homem sobre a importância da correta execução das rezas.

Não em vão, o religioso se considerava um grande especialista nas rezas para as Divindades das Águas e aquelas rezas não tinha para ele nenhum segredo.

Quando da chegada, notou que se tratava de um homem maltrapilho de aparência muito tranquila. O religioso, com serena paciência, dedicou algumas horas e instruí-lo minuciosamente aquele indivíduo que a cada momento mostrava efusivas formas de agradecimento ao seu improvisado benfeitor. Mas nunca deixava de mencionar ao religioso “que sempre acreditou e tinha fé na maneira que sempre rezou em toda a sua vida”.

Quando entendeu que por fim que aquele sujeito seria capaz de recitar as rezas com certa solvência se despediu dele, não antes lhe advertir:

“Se lembre muito bem disso meu amigo: o poder dessas rezas em seu correto encantamento permite que um Ser Humano seja capaz de andar sobre as águas” Entretanto eu nunca consegui! indagou o religioso.

Entretanto, havia percorrido apenas alguns metros com seu barco, quando ouviu a voz daquele homem recitar as reza de maneira pior do que antes. “Que desperdício de tempo” disse a si mesmo; há pessoas que são incapazes de aprender nada de nada.

“É religioso! você realmente estava certo” disse o pobre homem. O religioso ao ouvir as palavras deste, voltou-se para trás e viu aquele pobre homem “caminhando sobre as águas”.


Baba Guido Olo Ajaguna

terça-feira, 19 de julho de 2016

ŃYÁÃ LẸ̀ – Vísceras preparadas como alimento as Divindades.






Àṣẹ (ọ)kàn yáãlẹ̀
“O poder do espírito rapidamente faz você forte”

Guisado de Vísceras ou popularmente conhecida por “buchada” entre o povo de santo, está cada vez mais raro de se ver ou mesmo de apreciar essa iguaria da cozinha ritualística dentro uma Casa de Santo, até mesmo as ditas como “tradicionalistas”.

Talvez o trabalho minucioso para se preparar as entranhas de um quadrúpede ofertado a uma Divindade, faça com que suas vísceras sejam “despachadas”, e o escasso tempo disponível da mulher habilitada para tal função, seja poupado.

Na atualidade, quem recebe os intestinos dos animais de “quatro patas”, são os riachos, rios, lagoas e florestas; mas não podemos esquecer as encruzilhadas, terrenos baldios, boca de lobo e até mesmo o coletor de lixo.

Ainda existem aqueles que simplesmente “besuntam os intestinos (ainda com seu interior repleto de fezes), com azeite de dendê” e os colocam no pé da árvore para que Ìyámi Òṣòròngà venha se alimentar deste; sendo que até mesmo o quadrúpede que se oferece as Grandes Mães, os intestinos são limpos, temperados e refogados conforme a tradição e costumes.

Entretanto, para a felicidade de muitos, existem aqueles que mantêm a tradição de preparar um verdadeiro “asun” de dar água na boca e de entrar na fila para comer pelo menos um bocado.

Hoje escrevo esse post com lágrimas nos olhos e coração partido; pois de tanto lutar e brigar por uma tradição que acredito piamente, o destino me pregou uma peça. Mas mesmo sendo vitima da “ironia desse destino”, não tenho coragem de fazer com o meu próximo, aquilo que a mim fizeram, pois estaria indo contra os meus princípios.

Baba Guido Olo Ajaguna

quinta-feira, 14 de julho de 2016

ṢÍRE – Por que o dançamos em sentido anti-horário?




Alguma vez em sua vida, você reparou que ao abrir o registro de uma torneira, se faz em sentido anti-horário? Ou que a fechadura da porta de entrada, faz com que a chave gire em sentido anti-horário? Exatamente isso!

Em meu entendimento, dançamos o ṣíre em sentido anti-horário, com a finalidade de abrir uma espécie de “portal” entre os dois planos de existência, ou seja, Ọ̀run – Plano Espiritual e o Àiyé – Plano Material.

A própria palavra [ṣí] – averbada no Dicionário Yoruba – Português, faz referência a um verbo intransitivo, que significa “abrir, descobrir”. Enquanto que a palavra [re] seria a forma contraída do substantivo [õre] do qual significa “bondade, favor, benevolência”.

A ortografia do idioma ioruba nos permite suprir uma das vogais, quando uma palavra termina em vogal e a próxima palavra se inicia com outra vogal. Então teremos as seguintes escritas [ṣí õre] [ṣí(õ)re] [ṣí’re] [ṣíre].

Entretanto, não posso deixar de mencionar, que a palavra ṣíre não pode ser simplesmente traduzida “ao pé da letra”, mas sim interpretada, de acordo com o discernimento de cada um.

Em uma colocação muito particular, entendo que durante a cerimônia do ṣíre, do qual antecede o ponto culminante de todas as festividades, estamos abrindo uma passagem para descobrirmos e recebermos a magnanimidade, complacência, a transigência, e desta forma, que a benevolência de nossas divindades esteja presente entre nós, naquele momento tão sublime.

Certa vez ouvi uma antiga senhora me dizer: Meu filho, um xirê bem entoado, bem cantado, bem tocado, ali naquela hora, com todo mundo compenetrado, fica mais fácil de Orixá chegar nesse mundo!

Baba Guido Olo Ajagùnà

sábado, 9 de julho de 2016

Ìyámàpò Ìyá Òbo – A Mãe da Vagina



Quem foi que nunca ouviu a expressão “Ela é amapô”?

Um tipo de dialeto entre o povo de santo muito comum, quando pretendem se referir a uma mulher ou mesmo ao seu órgão genital. Na realidade esse termo “amapô” é nada mais que a corruptela do nome Ìyámàpò.


Os Tradicionais Mitos nos revelam que esta Divindade pertence à Sociedade Gẹlẹdẹ /Ẹfẹ e foi a responsável em determinar o local exato da vagina – òbo (a palavra eufêmica seria abẹ́) antes mesmo que Ìyámi Òṣòròngà determina-se o local do útero – inú. 

Guardiã e protetora da Floresta Sagrada de Ọ̀ṣún na Cidade de Oṣogbo é constantemente mencionada nos mitos locais desde a fundação desta.

Também conhecida por seu epíteto Ìyá Òbo – Mãe da Vagina, os descendentes de Oṣogbo, lhe prestam reverência e homenagem durante o Àwon Àjo Àfiyèsí ti Ọ̀ṣún a Festividade Anual.

Sabemos que o útero materno guarda um dos maiores Segredo da Criação e o aparelho reprodutor feminino não esta sob o domínio de apenas uma divindade, como no caso da libido e fluídos corporais que escorrem da vagina estão sob a influência de Ìyámàpò.

Baba Guido Olo Ajagùnà