terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
O LADO PODRE DO CANDOMBLÉ DO RIO DE JANEIRO!
"A cada dia que passa, estou chegando a conclusão que realmente o Povo de Candomblé não vale aquilo que defeca"
Existe em circulação pelos meios de comunicação, a priori no WhatsApp, uma "Lista Negra" com os nomes de Pais e Mães de Santo do Estado do Rio de Janeiro, na qual os autores da mesma, nomeiam do 1º ao 10° lugar os "mais difamados" e do 1º ao 10º lugar os denominados "as marmoteiras apagadas".
Esse grupo de pessoas, fazem menções aos Pais e Mães de Santo, quanto as suas orgias sexuais, consumo de álcool e drogas, crimes de estelionato, aliciamento de menores, crimes de prostituição, condutas impróprias no exercício do sacerdócio, pseudos sacerdotes, comércio religioso e ainda citam os portadores do vírus HIV, ou seja, os denominados soros positivos.
Ainda podemos encontrar nessa lista a seguinte descrição: "Cuidado estamos de olho em pessoas ardiloso, teremos o prazer de ver o fenecimento de todos! Nada ficará implícito ou incólume a nossa visão. As nódoa do candomblé serão revelados, iremos suscitar as pérfido veneta desse povo!!!"
A expressão "pérfido veneta" chega a ser hilário, da qual tenho certeza que aquele que mencionou, não sabe o que estava escrevendo.
Pois bem...
Esse tipo de atitude caluniosa e difamatória irá colaborar com a nossa religião em que sentido, há não ser denegrir mais ainda a imagem dos adeptos do candomblé? Pelo o que sei, muitas das pessoas ali citadas ainda continuam com seus Terreiros de Candomblé em pleno funcionamento, ganhando "rios de dinheiros", com suas atividades ilícitas ou não.
Querem "limpar" o Candomblé do Rio de Janeiro? Sugiro que criem um "Grupo de Extermínio Religioso" muito bem preparado, pois essa suposta "Lista Negra" de nada vai funcionar, e todos sabemos que para conseguir "armamento pesado" não é tão difícil assim.
Quando de minha menção "sugiro que criem um Grupo de Extermínio Religioso" estou plenamente ciente que isso pode ser caracterizado o Artigo 287 do Código Penal "Apologia ao Crime". Mas ainda continuo a incentivar os autores da referida lista, pois aí saberemos até onde vai a sua coragem de entrar em um Terreiro de Candomblé, quebrar tudo, incendiar, assassinar os dirigentes e seus seguidores (que é para não deixar rastros), porque colocar nome em lista e se esconder por detrás de uma tela de computador ou celular é muito fácil. Quero ver se arriscar em LIMPAR AS SUJEIRAS DO CANDOMBLÉ e passar o RESTO DE SUAS VIDAS EM CÁRCERE PRIVADO, ensinando e aprendendo candomblé dentro de um SISTEMA PENITENCIÁRIO.. Isso é sinônimo de COVARDIA!!!
Deixo bem claro que essa postagem não tem o intuito de defesa de quem quer que seja, pois não me interessa a vida de outras pessoas há não ser a minha própria vida. Só quero apresentar a todos de minha página e aos compartilhamentos dessa, A QUE PONTO CHEGA O SER HUMANO, se assim podemos chama-los.
Baba Guido Olo Ajaguna.
terça-feira, 15 de novembro de 2016
TERREIRO DE CANDOMBLÉ EM SOLO PRÓPRIO NÃO DESMERECE AQUELE QUE ESTA EM SOLO ALHEIO!
TERREIRO DE CANDOMBLÉ EM SOLO PRÓPRIO NÃO DEMERECE
AQUELE QUE ESTA EM SOLO ALHEIO!
De certo que exista uma
linha que separe um Terreiro estabelecido em casa própria daquele que se
estabelece temporariamente em casa alugada.
Sabemos que em terras
próprias podemos “acomodar” determinadas Divindades, Deidades e Entidades, que
não se poderiam fazer presentes em terras alheias. Mas isso não implica no
impedimento de realizar ritos de iniciação e consagração, pois se assim o
fosse, muitos iniciados deveriam fazer a sua re-iniciação no Culto aos Òrìṣà.
Poderia aqui nessa
postagem, citar nomes de Grandes Baba e Ìyálòrìṣà
que começaram o seu Legado Religioso em casas de aluguel e se mudaram por
várias vezes para outras casas ainda que alugadas, até seu Terreiro se estabelecer
definitivamente em sua propriedade.
Mas não vejo essa
necessidade de dar “nome aos bois”, pois muito dos meus leitores tem a mesma “idade
de santo” que a minha pessoa e muitos aqui ainda são “meus mais velhos” e devem
recordar perfeitamente daqueles que começaram a sua “Jornada Religiosa em Terra
Alheia”.
Entretanto, é inadmissível
ouvir de um Baba ou Ìyá, assim como de seus descendentes, que num passado
principiou suas atividades em solo alheio dizer: “Quem não tem casa própria,
não pode ser Pai ou Mãe de Santo, não pode abrir Casa de Santo”. Aquele ou
aquela que assim diz, esta se referindo a si próprio de que maneira? Para que tamanha
hipocrisia? Qual a finalidade de querer esconder esse passado?
Em uma colocação mui
particular, acredito que a frase mais adequada seria a seguinte: “No passado eu
tinha Terreiro de Candomblé em casa de aluguel, mas lhe aconselho abrir a sua
Casa de Santo em terreno próprio pelos seguintes motivos...”.
Mas infelizmente em
nossas vidas “Temos histórias para contar e histórias para esconder”, até mesmo
em nossa vida religiosa.
Baba Guido Olo Ajaguna
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
BABA GUIDO CANTAVA MUITO, AGORA CANTA POUCO!!!
Num passado não tão longínquo,
eu cantava 1.000 cantigas para os Orixás, agora canto apenas 100. Mas desses
100 cânticos eu sei a interpretação, o significado, ou seja, a essência da
cantiga e o momento mais apropriado para ser entoada.
Não canto mais
absolutamente nada daquilo que não sei ou não tenho a mínima noção do que
esteja pronunciando, independente da fonte de origem da cantiga. O dito popular
entre o Povo de Santo: “Eu canto assim porque Pai ou Mãe Fulana cantava assim”
comigo não funciona; embora respeite quem compartilhe desse pensamento.
Sou convicto e assumido
que um dia habitei a “Terra dos Papagaios”, mas optei em não mais viver nessa “civilização
de pessoas que memoriza e repete o
que ouve ou lê, sem compreender o que diz.”, embora respeite quem
ainda permaneça nela, com seu imenso repertório de toadas, muito delas condenadas
à “Eterna Escuridão do Entendimento”.
Minha eterna gratidão
aos “meus mestres” que graciosamente retiraram as vendas dos meus olhos e assim,
permitindo dar os primeiros passos em direção ao saber e, ao mesmo tempo,
revelaram o colorido dessa vida religiosa que antes se apresentava em branco e
preto e sem as dimensões e contrastes. Dos primeiros passos até
hoje, a caminhada foi longa e não teria chegado onde cheguei se não
tivesse seres maravilhosos ao meu lado, indicando caminhos e lapidando o Ser
que ainda permanece nessa longa e difícil jornada do sacerdócio.
#ficaadica
#exijorespeito
Baba Guido Olo Ajaguna
domingo, 6 de novembro de 2016
ANDANDO NA CONTRAMÃO DA RELIGIÃO.
Não pretendo fazer aqui, a apologia da indisciplina religiosa, nem tão
pouco, incentivar o desrespeito às Leis das Religiões. A contramão a que me
refiro tem a ver com os sentimentos, os valores, os princípios e as atitudes,
que circulam no coração de um religioso.
São as Jornadas Religiosas durante nossa estadia nesse mundo que nos
interessa nessa postagem, com seus "engarrafamentos" que impedem o
fluxo de nossos sonhos e, muitas vezes, nos obrigam a desviar caminhos que
terminam em becos sem saída e muito deles sem volta.
Se percebermos a vida religiosa como uma viagem, é preciso coragem e
ousadia para alterar algumas rotas pré-estabelecidas, e para tanto, é
necessário aprender a andar na contramão, pelo menos, em algumas ocasiões.
Estamos vivendo a Era da Desilusão, onde a grande maioria da humanidade está “desencantada” com a vida, sobre tudo a vida religiosa; o pessimismo e o negativismo vão dominando os pensamentos, destruindo em muitos a coragem para lutar, andar na contramão é ser otimista.
Hoje, mais que nunca, é preciso cultivar o otimismo; não aceitar o caos
como algo já determinado e lutar para alterar as rotas do desânimo e da apatia.
As verdadeiras mudanças começam dentro de nós mesmos, e são elas que redesenham
os caminhos da nossa existência.
Outra atitude que vai ao sentido contrário à maioria é a perseverança,
isto é, a determinação de continuar lutando. Nós somos a geração das
facilidades e das respostas imediatas. O imediatismo influência de tal forma a
nossa existência, que o bom, não é mais aquilo pelo qual lutamos, mas o que
recebemos pronto e rápido.
Por isso mesmo, por falta de perseverança, muitos dos nossos sonhos vão
ficando para trás e as conquistas atuais como: casamento, família, trabalho,
etc., correm o risco de serem também destruídos. Sonhar, lutar, persistir,
cair, mas jamais ficar prostrado, são virtudes presentes nas biografias de
homens e mulheres que viveram, venceram e fizeram a diferença.
Outra forma de se andar na contramão, é a coragem para ser verdadeiro.
Nossa cultura é edificada a partir de muitas contradições, e o “faz de contas”
passou a ser algo indispensável no cardápio da sociedade.
Chegamos ao ponto tal, que as pessoas acham que e vergonhoso ser
honesto, verdadeiro e transparente. É preciso romper com o tráfego das
mentiras, que a “cultura” vem legitimando como o sentido único para a vitória. É preciso bloquear as
saídas por meio do suborno, do engano e da ilusão. Seja uma pessoa verdadeira!
Tenha orgulho de si mesmo. Não há virtude alguma em viver enganando-se a si
mesmo e tentando enganar aos outros.
Finalmente, andar na contramão, é decidir ser diferente, quando
necessário, ainda que, isto implique
caminhar no sentido oposto à “mão única” escolhida pela maioria, como por
exemplo:
- Quando todos desistirem continue
lutando;
- Quando todos descrerem exercite a sua fé;
- Quando todos murmurarem louve a Deus;
- Quando todos odiarem aprenda a amar;
- Quando todos mentirem fale só a
verdade.
Enfim, nesta viagem religiosa, os Caminhos de Deus, que sempre conduzem
a vitória, à felicidade e à paz, muitas vezes, não seguem roteiros, são
percorridos na contramão da história, especialmente quando essa história é
marcada pelas rotas da tristeza, da derrota e da destruição.
Por isso, andar na contramão, seria poder também, andar com Deus e com o
Sagrado?
Baba Guido Olo Ajguna.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
QUEM EM FOFOCA VIVE DESFOCA NA VIDA!
“O fofocar pode desfocar, porque tira o nosso foco, nos mantém
fora das atenções principais da vida”. Faz de aquele momento querer o mal de
nossos semelhantes. Quantas coisas na vida foram desfeitas por “palavras
venenosas” que trouxeram discórdia e semearam o ódio?
Realmente o “fofocar” existe em todas as esferas da sociedade, muitas
vezes maculando e manchando os caminhos por onde passa.
Em minha jornada religiosa tenho me deparado com situações e
momentos em que o assunto de certas reuniões nada mais nada menos era falar da
vida alheia, ou seja, “fazer fofocas”.
Em simples resumo, podemos definir que o “hábito do mexerico”,
muitas vezes nasce do sentimento de injustiça de um determinado individuo, quando
surge a inveja do sucesso e crescimento do outro, e segundo sua própria concepção,
o mesmo deveria estar desfrutando daquela alegria. Quando alguém está feliz e o
outro infeliz, a frustração não demora vir a tona; não se contendo, começa a
“detonar” com o outro. Quando a alegria do outro está incomodando, começa a
busca pelos defeitos, imperfeições e com certeza uma das coisas mais tristes, o
alegrar com a queda do outro e se entristecer com suas vitórias.
Um dito popular diz: “Toda ausência é atrevida”. A ausência é amiga da fofoca e
quando o outro não está para se defender é muito fácil dizer o que bem entender.
Tem coisa mais feia do que falar pelas costas coisas negativas,
denegrir a imagem do outro?
Em uma colocação muito particular, esse é pior de todos os males,
quando matamos a honra, a moral e os princípios da pessoa ausente, sem lhe dar
mínima possibilidade de defesa e direito de resposta.
Quem crê no Deus Supremo e no Sagrado, sabe muito bem no “poder da palavra” e que
nossa língua foi feita para proferir boas palavras, construir, edificar e não
ao contrário.
Temos que nos conscientizar em nos manter afastado dos lábios
mentirosos e difamadores não darem ouvidos a palavras que desmoralizam o próximo,
não alimentar conversas maliciosas, não propagar “contos da vida alheia”, dos
quais dizem respeito somente aos mesmos.
Certa vez uma senhora muito religiosa me disse: que quando nos
reunimos para falar da vida alheia, uma energia muito ruim começa a se formar
ao nosso redor e essa energia acaba por se plasmar em nosso interior e até
mesmo nos batentes das portas, telhados e paredes de onde estamos presentes. Superstição ou não, acredito nisso até os tempos de hoje.
Falar da vida alheia é uma grande perda de tempo, mas parece que tem muita
gente que se esquece de sua vida e se importa em gastar seu precioso tempo se interessando
na vida dos outros.
Pense nisso, quando for abrir sua boca: Imagine se suas palavras irão “construir
ou destruir?”, “edificar ou derrubar?”, “gerar vida ou morte?”.
Se não valer a pena o que vai dizer, o melhor é ficar em silêncio,
se não tiver palavras boas não profira palavras más. Retire-se e faça uma prece
a Deus, as Divindades, as Deidades, as Entidades, aos Santos ou aos Encantados.
Baba Guido Olo Ajaguna
terça-feira, 11 de outubro de 2016
BABA KÉKERÉ - UM RELATO DE DEVOÇÃO E DECEPÇÃO.
Antes de prosseguir,
gostaria de justificar que o intuito dessa postagem tem a finalidade de apenas se
tornar de conhecimento público, aquilo que julgo ser a minha verdade.
Recebi o Cargo Religioso
de Baba Kékeré (outorgado pelo Santo da Casa) no Terreiro de Candomblé
denominado de Àṣẹ
Bí Arọ̀, presidido pelo Babalòrìṣà Radamés Mendes
Queiroz de Òṣogìyán.
Entretanto, depois de quase
30 anos exercendo a minha função da qual foi designado e também acumulando
funções de outros cargos, decide cortar definitivamente os laços com a referida
Casa de Candomblé e deixar o meu posto em aberto e disponível para ser ocupado
por outra pessoa igual ou melhor que a minha qualificação religiosa.
Existem vários motivos
de meu desligamento do Àṣẹ,
dos quais seria uma tremenda falta de ética religiosa, enquanto os que seguem
abaixo apresentados não traria qualquer constrangimento.
Sempre que possível, ou
melhor, na maioria das vezes, estava presente nas funções do Àṣẹ, sem me
importar com compromissos familiares e muito menos com o meu companheiro, pois sempre
acreditei no provérbio “Por causa do Santo se beija o altar” hoje não acredito
mais, pois a vida me mostrou diferente.
No principio, a falta
de reconhecimento das funções que ali executava e pelo fato do Senhor Radamés
ser o Sumo Sacerdote do Templo, obviamente recebia todos os créditos, onde
deixava muito bem claro a todos os visitantes que ali eu era o Kékeré “o pequeno”
no sentido pejorativo da palavra. Talvez o dito popular “Vestir a boneca para o
outro dançar” encaixe perfeitamente como um quadro figurativo.
Os cânticos puramente
Ìnàgò que “levei” e “não ensinei” para o Àṣẹ em nome do Santo da Casa, quem levava os
créditos eram Ìyá Cidália de Ìrokò, uma das Ẹ̀gbọ́n mais antigas do Terreiro
do Gantois, pois ele dizia a todos que tudo o que ali se cantavam e realizam foram
palavras ensinadas por essa Sabia Senhora que hoje descansa em paz aos Pés de
Olódùmarè.
As Divindades,
Entidades e Deidades que “levei” para o Terreiro do Àṣẹ Bí Arọ̀, vieram da Casa de Candomblé do Pai Muxiala
e os méritos foram todos para o Babalòrìṣà
Indare, atual dirigente do Terreiro do Ọba
Tayọ́, pois hoje ele afirma que a maioria
das entidades que ali estão presentes foram “acomodadas” por esse Grande Senhor
(que assim o considero), sendo que nem todas ali presentes foram consagradas e
sacramentadas por Baba Indare. Alem de poucas terem vindo da casa do Babalòrìṣà Beto Akijunsun, meu
finado irmão de santo e pai de santo do Senhor Radamés.
Poderia relatar todas
as Divindades que ali se fazem presentes, sua representação, origem e
localização, pois sendo a segunda pessoa da casa tenho esse devido
conhecimento, mas considero essa uma atitude imprudente.
Se não bastasse tudo
isso, o ilustre Pai de Santo, tenta de toda a forma difamar e denegrir a minha
imagem, não importando se a pessoa me conhece ou deixa de me conhecer; todos os
meus amigos sem exceção que vão visitá-lo sempre tem uma “história escabrosa”
com o meu nome; e assuntos graves que se os mesmos se propuserem a servir de
testemunha se tornaria Caso de Justiça e seria causa ganha garantida por
calunia e difamação; mas infelizmente não é bem assim que as coisas funcionam.
Seu companheiro José
Luis Caldas Oni Sàngó, iniciado e consagrado pelo meu Àṣẹ, antes eu era o melhor Pai
de Santo do mundo, hoje não esta mais comigo e não sirvo para absolutamente
nada. Ele diz ter sido uma opção dele. Será?
Foram quase três
décadas de acontecimentos bons e ruins dentro do Àṣẹ Bí Arọ̀,
assim como acontece com muitos outros, não sou e nem serei o ultimo a passar
por esse tipo de constrangimento. Mas a questão está na traição, ingratidão e
falsidade, são essas que mais ferem o coração e a alma do ser humano, machucam muito
mais que palavras.
Se não deu certo não
deu, paciência, “temos que aceitar as perdas, assim como aceitamos os ganhos” e
que cada qual siga o seu caminho, ele triunfando no Terreiro do Bí Arọ̀ e eu no Terreiro da Casa Grande, mas
infelizmente nem todas as pessoas dentro de minha religião são portadoras de boa
índole e bom caráter.
Hoje sou considerado
pra ele o seu pior inimigo, um inimigo mortal, sendo que eu não o considero
dessa forma, mesmo com tantos motivos aparentes, mas de que adiantaria esse mau
pensamento? Eu apenas desejo que o mesmo pare de me difamar e caluniar, só
isso, nada mais que isso. Não peço reconhecimento algum por parte do Terreiro
do Bí Arọ̀, pois seria tarde de mais para isso;
o tempo já se passou e não volta mais.
Aqui termino com a
frase de um dos filósofos mais sábios desse mundo: “Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas” Confúcio – Filósofo
Chinês.
Baba Guido Olo Ajaguna
quarta-feira, 27 de julho de 2016
UM CONTO DE CRENÇA E FÉ
“Entendo
que se a Fé em algo é inabalável e a intenção é boa, algumas coisas são
relevantes,
mas não deixam de ter a sua real importância”
Um religioso de grande
devoção e versado no Culto aos Orixás, certa vez cruzava um rio com seu barco,
quando ao passar por uma pequena ilha, ouviu a voz de um homem que muito desajeitado
tenta exaltar as suas rezas as Divindades das Águas.
Em seu interior não
pode por menos que entristecer o religioso. Como era possível que alguém fosse
capaz de entoar tão más aquelas rezas?
Talvez aquele homem,
ignorava que as rezas deveriam ser recitadas com a entoação adequada, o ritmo e
a musicalidade precisa e com perfeita pronuncia.
Decidiu então ser
generoso e desviando de seu curso, decidiu atracar o barco nessa ilhota, a fim
de instruir aquele pobre homem sobre a importância da correta execução das
rezas.
Não em vão, o religioso
se considerava um grande especialista nas rezas para as Divindades das Águas e
aquelas rezas não tinha para ele nenhum segredo.
Quando da chegada,
notou que se tratava de um homem maltrapilho de aparência muito tranquila. O
religioso, com serena paciência, dedicou algumas horas e instruí-lo
minuciosamente aquele indivíduo que a cada momento mostrava efusivas formas de
agradecimento ao seu improvisado benfeitor. Mas nunca deixava de mencionar ao
religioso “que sempre acreditou e tinha fé na maneira que sempre rezou em toda
a sua vida”.
Quando entendeu que por
fim que aquele sujeito seria capaz de recitar as rezas com certa solvência se
despediu dele, não antes lhe advertir:
“Se lembre muito bem
disso meu amigo: o poder dessas rezas em seu correto encantamento permite que
um Ser Humano seja capaz de andar sobre as águas” Entretanto eu nunca consegui! indagou o religioso.
Entretanto, havia
percorrido apenas alguns metros com seu barco, quando ouviu a voz daquele homem
recitar as reza de maneira pior do que antes. “Que desperdício de
tempo” disse a si mesmo; há pessoas que são incapazes de aprender nada de nada.
“É religioso! você
realmente estava certo” disse o pobre homem. O religioso ao ouvir as palavras deste,
voltou-se para trás e viu aquele pobre homem “caminhando sobre as águas”.
Baba Guido Olo Ajaguna
terça-feira, 19 de julho de 2016
ŃYÁÃ LẸ̀ – Vísceras preparadas como alimento as Divindades.
Àṣẹ (ọ)kàn yáãlẹ̀
“O poder do espírito rapidamente faz você forte”
Guisado
de Vísceras ou popularmente conhecida por “buchada” entre o povo de santo, está
cada vez mais raro de se ver ou mesmo de apreciar essa iguaria da cozinha
ritualística dentro uma Casa de Santo, até mesmo as ditas como
“tradicionalistas”.
Talvez
o trabalho minucioso para se preparar as entranhas de um quadrúpede ofertado a
uma Divindade, faça com que suas vísceras sejam “despachadas”, e o escasso
tempo disponível da mulher habilitada para tal função, seja poupado.
Na
atualidade, quem recebe os intestinos dos animais de “quatro patas”, são os
riachos, rios, lagoas e florestas; mas não podemos esquecer as encruzilhadas,
terrenos baldios, boca de lobo e até mesmo o coletor de lixo.
Ainda
existem aqueles que simplesmente “besuntam os intestinos (ainda com seu
interior repleto de fezes), com azeite de dendê” e os colocam no pé da árvore
para que Ìyámi Òṣòròngà venha se alimentar deste; sendo que até mesmo o
quadrúpede que se oferece as Grandes Mães, os intestinos são limpos, temperados
e refogados conforme a tradição e costumes.
Entretanto,
para a felicidade de muitos, existem aqueles que mantêm a tradição de preparar
um verdadeiro “asun” de dar água na boca e de entrar na fila para comer pelo
menos um bocado.
Hoje
escrevo esse post com lágrimas nos
olhos e coração partido; pois de tanto lutar e brigar por uma tradição que
acredito piamente, o destino me pregou uma peça. Mas mesmo sendo vitima da
“ironia desse destino”, não tenho coragem de fazer com o meu próximo, aquilo
que a mim fizeram, pois estaria indo contra os meus princípios.
Baba Guido Olo Ajaguna
quinta-feira, 14 de julho de 2016
ṢÍRE – Por que o dançamos em sentido anti-horário?
Alguma
vez em sua vida, você reparou que ao abrir o registro de uma torneira, se faz
em sentido anti-horário? Ou que a fechadura da porta de entrada, faz com que a
chave gire em sentido anti-horário? Exatamente isso!
Em meu
entendimento, dançamos o ṣíre em sentido anti-horário, com a finalidade de
abrir uma espécie de “portal” entre os dois planos de existência, ou seja, Ọ̀run
– Plano Espiritual e o Àiyé – Plano Material.
A
própria palavra [ṣí] – averbada no Dicionário Yoruba – Português, faz
referência a um verbo intransitivo,
que significa “abrir, descobrir”. Enquanto que a palavra [re] seria a forma
contraída do substantivo [õre] do qual significa “bondade, favor, benevolência”.
A ortografia
do idioma ioruba nos permite suprir uma das vogais, quando uma palavra termina
em vogal e a próxima palavra se inicia com outra vogal. Então teremos as seguintes
escritas [ṣí õre] [ṣí(õ)re] [ṣí’re] [ṣíre].
Entretanto,
não posso deixar de mencionar, que a palavra ṣíre não pode ser simplesmente traduzida
“ao pé da letra”, mas sim interpretada, de acordo com o discernimento de cada
um.
Em uma
colocação muito particular, entendo que durante a cerimônia do ṣíre, do qual
antecede o ponto culminante de todas as festividades, estamos abrindo uma
passagem para descobrirmos e recebermos a magnanimidade,
complacência, a transigência, e desta forma, que a benevolência de nossas
divindades esteja presente entre nós, naquele momento tão sublime.
Certa
vez ouvi uma antiga senhora me dizer: Meu
filho, um xirê bem entoado, bem cantado, bem tocado, ali naquela hora, com todo mundo
compenetrado, fica mais fácil de Orixá chegar nesse mundo!
Baba
Guido Olo Ajagùnà
sábado, 9 de julho de 2016
Ìyámàpò Ìyá Òbo – A Mãe da Vagina
Quem foi
que nunca ouviu a expressão “Ela é amapô”?
Um tipo de
dialeto entre o povo de santo muito comum, quando pretendem se referir a uma
mulher ou mesmo ao seu órgão genital. Na realidade esse termo “amapô” é nada mais que a corruptela do
nome Ìyámàpò.
Os Tradicionais Mitos nos revelam que esta Divindade pertence
à Sociedade Gẹlẹdẹ /Ẹfẹ e foi a responsável em determinar o local
exato da vagina – òbo (a palavra eufêmica
seria abẹ́) antes
mesmo que Ìyámi Òṣòròngà determina-se o local do útero – inú.
Guardiã e protetora da Floresta Sagrada de Ọ̀ṣún na Cidade de Oṣogbo é constantemente mencionada nos mitos locais desde a fundação desta.
Também conhecida por seu epíteto Ìyá Òbo – Mãe da Vagina, os
descendentes de Oṣogbo, lhe
prestam reverência e homenagem durante o Àwon
Àjo Àfiyèsí ti Ọ̀ṣún a
Festividade Anual.
Sabemos que o útero materno guarda um dos
maiores Segredo da Criação e o aparelho reprodutor feminino não esta sob o
domínio de apenas uma divindade, como no caso da libido e fluídos corporais que
escorrem da vagina estão sob a influência de Ìyámàpò.
Baba Guido Olo Ajagùnà
quinta-feira, 7 de julho de 2016
SAKPATA vs ṢỌPỌNNÁ e outros mistérios perdidos no tempo
Teria Sakpata imigrado para a antiga Nigéria
ou
Ṣọpònná imigrado para o antigo Dahomé?
Sakpata
entre os Ewe Fon e
Ṣọpònná
entre os Iorubas.
Divindades
distintas ou a mesma divindade cultuada de formas diferentes?
Visando e primando pela perpetuação do
culto as divindades de Panteão Ioruba, exponho neste tópico algumas informações
acerca de Sakpata, Ọbalùàiyé, Ọmọlu e Jagun Agbaba, para darmos inicio a
um intercâmbio maior sobre o conhecimento desta família da qual a denomino de Iji
Jẹpẹtẹwu ou mais
conhecida pelo povo de santo como A Família
Ji.
SAKPATA
Para um melhor entendimento, deveremos saber que no antigo Dahomé, existe uma divindade no Panteão Ewe Fon, denominada de Sakpata, o Vodun da Varíola... A etnia Ewe Fon e conhecida popularmente no Brasil pelo término Jeje e em Cuba por Arara... Da mesma forma que Ṣọpònná seu nome não pode ser pronunciado, seus adeptos o preferem chamá-lo de Ayinon “O dono da terra”... Sakpata pertence a primeira linhagem da família de Nyohwe Ananu uma Vodun que possui característica idênticas as de NàNá Burúkú... Os nomes mais conhecidos de Sakpata no Novo Mundo são Azontunu e Avimage... Segundo reza a tradição, um grupo expedicionário da região de Savalou que estavam ao norte do antigo Dahomé, encontrou os Kadjanu (nagôs vindos da região de Badagris) em Damé, as margens do rio Wèmé, os quais o seguiram até Savalou, levando com eles sua divindade protetora dos quais denominaram em língua Fon de Sakpata Agbosu... Em Savé, afirma-se que Ṣọpònná teria vindo do reino de Ọ́yọ́... Essa remota origem nagô-iorubá é sublinhada pelo fato de que os Vodunsi (iniciados) de Sakpata são denominados Anagonu, que significa forasteiro de onde se originou a corruptela nagô... Em Dassa Zoumé, Ṣọpònná é conhecido por Sakpata... Os Sakpatanon grã-sacerdotes do Culto à Sakpata tinham uma grande influência sobre a realeza, porém, os reis jamais tiveram muita estima pelos sacerdotes desse culto. O mesmo culto passou por momentos de aceitação e reprovação; foi restabelecido por várias vezes e em seguida proscrito formalmente, pelos soberanos do reino do Dahomé, da mesma forma que os Oluwo Ipopo, os Sakpatanon foram mortos e muitos expulsos do território do Benim.
ṢỌPỌNNÁ
Entre os iorubas Ṣọpònná é
temível e perigoso, divindade das epidemias, sobretudo a varíola, sua maior
arma de punição aos malfeitores e aqueles que o desrespeitam. As altas
temperaturas corpórea, seguidas de delírios causados pela infecção de doenças
contagiosas, não são mais do que sintomas da ira de Ṣọpònná
contra sua vitima. Quando temos alguma razão para pensar que um enfermo esteja
sob a manifestação maléfica de Ṣọpònná é descrito de Ilẹ̀gbóná – Varíola; Ìgbóná
– Febre ou até mesmo Ilẹ̀ gbígbóná –
Terra quente, ou seja, “a terra aonde o enfermo encontrasse está demasiadamente
quente” é a presença do Deus da Varíola e precisa ser apaziguado. Neste caso os
iorubas não pronunciam mais o nome Ilẹ̀ gbígbóná e
sim empregam um eufemismo e dizem exatamente o contrário Ilẹ̀ Tútù – O solo está frio, vertendo
água de dentro para fora da casa. Terrivelmente temido, seu nome não deve ser
pronunciado, sobre tudo perante aos enfermos, quando invocado é mais indicado
usar nomes com expressões adulatórias, como: Ọbalùàiyé – Rei e
Senhor da terra; Olùàiyé – Senhor da terra ou Oloòde
– Senhor dos espaços abertos. Quando um enfermo padece de qualquer doença
contagiosa e se crê que a causa seja Ṣọpònná os iorubás descrevem
a situação em términos de profundo respeito a divindade. Eles dizem Ó n
sin Ọba – Ele está sob a vontade do
Rei; Ilẹ̀ gbígbóná n bá a
jà – A terra quente há posto sua mão sobre ele ou a terra quente
o está afetando; Ó gb' ofá ou Ofá bà á – Ele atinge
sua vítima como uma flecha ou Ele foi atingido por uma flecha. Ṣọpònná
é descrito como Alápó – Alguém que maneja o temor e quando um
enfermo morre como resultado de sua aflições, usualmente não se diz Ó kú
– Ele morreu, se diz Ọba mú nlọ́ – O rei o o levou ou ainda Ilẹ̀ gbígbóná gbé e lọ́ – A terra quente o levou. Os mitos relatam que em dia
de sol escaldante, em especial ao meio-dia, Ṣọpònná está vagando
por todos os lugares e comumente se alerta a não usar o vermelho ao “sol a
pino” correndo o risco de insultá-lo, do qual teriam sérias conseqüências.
Deve-se ter cuidado, especialmente durante a temporada de seca, de não fazer
nada que o ofenda, A sòroó pè léèrùn – Alguém cujo nome não é
propicio se chamar durante a época de seca. Os antigos entendem desta forma
porque as maiorias das epidemias de varíola foram constatadas em épocas de
seca, além de que os iorubas crêem que Ṣọpònná esteja nessa época
particularmente ativo. Ṣọpònná é considerado feroz e muitas vezes
implacável, então não insultá-lo é a melhor prevenção de não ser molestado por
uma divindade tão perigosa.
Ṣọpònná é a única divindade de que sua vontade, qualquer que
seja sua manifestação, deve ser aceita, não somente com resignação senão com
uma manifestação de prazer e gratidão. Por exemplo, os parentes de alguém que
morre de varíola não deve se lamentar o mostrar que choram pela morte de um
ente querido. Em vez disto eles devem estar alegres e felizes e mostrar que
estão amplamente agradecidos pela atitude do Rei da Terra. Assim, Ṣọpònná
é conhecido por Alápadúpé – Alguém que mata e se agradece
por isso.
Sob seu absoluto domínio está a crosta
terrestre; o solo onde o homem habita, constrói, cultiva e deposita seu cadáver
após a morte; ele nutre os homens dando-lhes o milho e outros grãos do solo,
mas também os pune fazendo com que, através de suas peles, saiam os “grãos” que
eles comeram. Filho primogênito de Nà Bùkùú ou mais conhecida no
Panteão Ioruba de NàNá Burúkú. Seu maior companheiro, um
ancestral denominado de Ãle que habita o lado de fora de sua
casa; nada o faz sem antes prestar reverencia a ele; seu nome não deve ser
pronunciado após o pôr do sol. Na crença ioruba Ṣọpònná é a
“Destruição que surgiu em uma noite”.
A escassez de informações sobre a
origem do culto o mantém na obscuridade. Isso ocorreu devido ao fato deste
culto ser de caráter reservado e em épocas remotas era proibido falar sobre o
assunto. Acreditasse que se trata de uma divindade estrangeira, agregada ao
Panteão dos Iorubas ou do retorno de origem ioruba longínqua, levadas por uma
das inúmeras migrações em direção ao oeste da Nigéria e imigrações ao
país vizinho a Republica Federal do Benim, antigo Dahomé. Ao
pouco que se sabem, os antigos iorubas citam que Ṣọpònná teria
vindo do território Fon e outros que tenha retornado a suas terras de
origem, o território Iorubá... Na Cidade de Ketou há divergência
de opiniões quanto a origem de Ṣọpònná... Alguns acreditam que
tenha vindo a Ketou de Dassa Zoumé, segundo alguns, de Adja Popo,
segundo outros, de Aise e uma terceira opinião de Holi... Para um
melhor esclarecimento, as maiorias dos estudiosos afirmam que o Culto ao Deus
da Varíola, tenha sido oriundo do Leste Ioruba.
A Medicina Tradicional de se curar a
varíola denominado de Ẹ̀rọ
ou Oògùn Ṣọpònná era conhecido, entre os iorubas,
unicamente pelos sacerdotes de Ṣọpònná, que fizeram dele grande
comércio e elevaram a varíola à posição de uma divindade temível. Na qualidade
de representantes do “senhor e rei da terra”, os corpos e os bens das vítimas
pertenciam de direito aos sacerdotes de Ṣọpònná. Esses sacerdotes
mantinham em suas casas, cabaças com parte dos cadáveres da vítima da varíola,
tais como um braço ou pé; potes contendo um líquido escuro, feito com a água
extraída do cadáver ou da água que serviu para lavar o corpo, enquanto a pessoa
estava viva; recipientes com um pó escuro, proveniente das escamações secas,
deixadas pela varíola. Essa água ou esse pó eram jogados, durante a noite, na
frente da casa das pessoas a quem se quer infectar. Os moradores ao saírem de
casa, entravam em contato com os germes. Assim que uma ou mais pessoas da
família se contaminasse, a erupção da pele aparece e um sacerdote de Ṣọpònná
é convocado. Durante o tratamento Ẹ̀bẹ̀ – súplicas, preces eram
constantemente recitadas com a finalidade de propiciar e apaziguar a fúria de Ṣọpònná.
De dez sacerdotes do culto, nove ajudam
mais a desenvolver a doença do que interrompê-la. Era de seu interesse agir
assim, além de grandes somas que recebem, eles reivindica todos os bens do
doente, caso esse venha a falecer. Esses sacerdotes inescrupulosos retiravam os
cadáveres da casa, mas não o enterravam no bosque com de costume, a não ser jogá-los
no mato, onde os porcos os comiam e, algumas vezes, os pedaços do corpo eram
levados para as aldeias vizinhas, contribuindo para espalhar o mal. Assim os
sacerdotes faziam negócios muito lucrativos. Os sacerdotes que procediam de
maneira correta conduziam o enfermo ao templo de Ṣọpònná e lá os
sacerdotes os lavam com areia de praia quente e remédios secretos.
A História dos Iorubas em meados do
século XVIII relata que um surto de epidemia da varíola dizimou a população de Abeokuta.
Centenas de pessoas morriam todos os dias, metade da população fora atingida.
Os governantes locais realizam uma sessão e certo número de adeptos de Ṣọpònná
foram executados e outros expulsos, e suas casas incendiadas.
ỌMỌLULU ỌRỌGBO
Divindade que se funde ao culto de Ṣọpònná,
mas em muitas localidades não se confunde. A região de Kétou,
cidade fronteira entre a Nigéria e o Benim, é a única região em todo o
território ioruba onde Ọbalùàiyé e Ọmọlu são
considerados, ao que parece, como uma única divindade... Seu templo é separado
de sua mãe mítica NàNá Burúkú... Com essa mesma característica
ele é conhecido no Brasil, onde a influência Kétou é muito grande entre
os descendentes de escravos que para lá foram levados. Em Ile Ife não
existe culto à Ọmọlu e muitos ali o desconhecem. Contrário na
região Mahi, onde seu culto se destinge totalmente de Ọbalùàiyé.
Ao que se sabe, seu culto se originou do Oeste Iorubá.
A tradição local da Cidade de Topli,
no Togo, Ọmọlulu Ọrọgbo é considerado uma divindade
feminina, que saiu das águas segurando um ṣaṣara – emblema ritualístico e
em uma das mãos e um gbada – facão na outra. Este facão é uma
representação do crocodilo, animal sagrado entre as divindades dos rios... Em Abeokuta
Ọmọlu é considerado um Òrìṣà
feminino, onde o Culto à Ṣọpònná esta proibido desde 1884, divide
seu templo com NàNá Burúkú e a ambas as divindade, quando se
oferece sacrifícios de animais não se utilizam de facas... É possível que
existam duas divindades com o mesmo nome, um de cada sexo, conforme se verá...
Na cidade de Abeokuta, Ọmọlu é chamado de Olù
Odò –
Senhor do riacho (água) e Ọmọlu Òrìṣà omi ni – Ọmọlu é uma divindade das águas...
Esse riacho é conhecido com Odomọlu – o riacho de Ọmọlu e esta localizada em direção
ao poente.
De suma importância mencionar, que o
Templo de NàNá Burúkú esta voltado em direção ao poente e neste
são realizados as oferendas somente ao por do sol, da mesma forma que se
pratica nos Terreiros Tradicionais da Bahia.
Na Cidade de Aise, existe em seu templo
uma grande lança esculpida, denominada de Ọkọ Ọmọlu, na qual são
representados por três personagens superpostos, representando Òṣumare, o próprio Ọmọlu
e Iroko... Em Dassa Zoumé Ọmọlu é duplo,
masculino segurando um facão e feminino segurando um abẹ́bẹ̀ – leque e um irùkẹ̀rẹ̀
– ornamento de cauda de bovino. Seu culto foi trazido de Aja Aguna e
agregado em Dassa Zoumé na época do Rei Onigbo – quarto soberano
de Dassa Zoumé...
Nas proximidades de Atakpamé,
cidade do Togo onde existe um dos principais templos de NàNá Burúkú,
em uma aldeia igualmente chamada de Adja Agouna, existe um templo
dedicado à Ọmọlu Arawe uma divindade masculina... em outra aldeia
da região, conhecida por Gbekon, encontra-se um templo de sua
contrapartida feminina, denominada de Ọmọlu Idji Aguna... Nesta
região ambos os Ọmọlu são divindades totalmente distintas de Ṣọpònná
e o sacrifícios de animais à Ọmọlu Arawe e Ọmọlu
Idji Aguna são realizados sem que se utilize uma faca para imolar o
animal. Seus interditos são o vinho de palmeira no que se diferencia de Ọbalùàiyé
onde é ofertado este tipo de vinho...
AJAGUN AGBAGBA
Ajagun ou simplesmente Jagun é uma divindade
guerreira, originário de Ekiti Ifòn, pois acreditasse que sejam filhos
de um dos Òrìṣà Funfun.
Ao que se sabe é considerado um Guerreiro Branco... Considerado invencíveis,
por sua bravura e coragem, nunca perdeu uma batalha, o que lhe deu o título de Keledjegbe
– O Guerreiro Invencível. Ajagun se refugiou na Cidade de Ijena,
terras do temível Ṣọpònná, onde passa a ser agregado à família de Ọbalùàiyé
tornando-se um dos Guardiões do Culto do Deus da Varíola.
Importante mencionar que a cidade ioruba
Ijena ou Jena foi fronteira com o antigo Dahomé e outrora
um dos grandes centros de contacto e aculturação entre duas das maiorias etnias
da África os Ewe-Fon e os Yorubá.
Em território ioruba o descrevem
segurando uma lança – Ọkọ̀ em uma das mãos e um facão – gbada
na outra. Sua cor predominante é o branco e seus interditos são o vinho de
palmeira, cabe ressaltar que o vinho de palma é tabu para todas as divindades
da família de Òrìṣà-Nlá.
CONCLUSÕES
Não poderia nos tempos de hoje chegar a
uma conclusão definitiva a não ser a maiores questionamentos, sobre esses
diversos aspectos de Ọbalùàiyé, Ọmọlu e Jagun Agbaba:
Duas divindades de origem diferente
e pertencentes a antigos grupos culturais diferentes, divindades essas que
vieram uma do leste (Ṣọpònná)
e outro do Oeste (Ọmọlu), unindo e assumindo um caráter único
em Ketou ?
Trata-se de uma divindade única, de
origem ioruba e de origem Tapa (Nupe) mais longínqua, trazida para o oeste por
uma das numerosas e antigas migrações que as tradições mencionam, e do retorno,
em seguida, dessa divindade para seu ponto de partida, trazendo um novo nome,
que originalmente, não passava de simples epíteto ?
Seria Ọmọlu Idji Aguna divindade
feminina que saiu das águas a conhecida Nà Yyógbáyin já que a
ambos não se realizam sacrifícios com faca?
E quanto a Jagun, seria este Ọmọlu
Arawe divindade masculina, baseando-se pelo fato de ambos portarem um facão
em uma de suas mãos?
A grande lança na entrada do Templo
de Ọmọlu Arawe na Cidade de
Aise, não poderia ser a lança de Jagun?
Existem muitos mistérios em nossa
sagrada religião que jamais serão revelados. Sem ser pretensioso, às vezes
penso que nossa religião precisasse das “Areias do Tempo” a mítica
ampulheta que permitia viajar pelo tempo. Mas isso está longe de nós pobres
mortais.
Baba
Guido Olo Ajagùnà













