quarta-feira, 8 de julho de 2015

A CERIMONIA DE LAVAGEM DAS CONTAS


A CERIMONIA DE LAVAGEM DAS CONTAS

Durante os ritos preparatórios que antecedem a cerimonia do iborí de um abiã, será confeccionado um colar de miçangas brancas, conhecido entre o povo de santo pelo nome de fio de contas e denominado na língua iorubá pelo termo ìlekè. As contas de porcelana, depois de enfiadas em fio de algodão virgem, são imersas em uma mistura de águas e folhas de Òsàlá piladas ou maceradas a mão, associadas a alguns outros ingredientes. Esse fio de conta representará o Òrìsà Ajalá – aquele que criou todas as cabeças e o próprio Òrìsànlá – o criador de todos os corpos, pois se os pés sustentam o corpo por sua vez sustenta a cabeça.

Após a cerimonia do borí e for determinado a Divindade Tutelar do abiã, será confeccionado um outro fio de conta nas cores correspondente, lavado com folhas e substancias que estejam ligadas ao seu Òrìsà. Em alguns casos, dos quais não são raros, um animal deverá ser oferecido ao Òrìsà e seu respectivo ìlekè deverá permanecer por três dias dentro do assentamento.

A cerimônia da lavagem das contas”, é por assim dizer, a inserção do neófito no universo mítico e místico do candomblé. Não se trata de um simples adorno e sim uma marca da Òrìsà Tutelar daquele que o ostenta. Uma fonte de energia que irá proteger aquele que o usa, da mesma forma que o faz um amuleto. Uma identificação que remete o indivíduo ao seu lugar na comunidade do Terreiro.
Hoje em dia, é costume notar uma única pessoa usando vários ìlekè de vários Òrìsà. Importante ressaltar que o fio de conta, seja lá qual for que não tenha se submetido a uma sacralização, não passa de um simples adorno, pois encontra-se fora do contexto religioso.

Baba Guido Olo Ajaguna

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